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Depois de Lula, que sejam os presos os demais corruptos

Da Redação

| Edição de 08 de abril de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O fim político do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT) é melancólico. Condenado à prisão, o petista se encastelou na sede do Sindicato dos Metalúrgicos, em São Bernardo do Campo, no ABC Paulista. Ele poderia ter se apresentado voluntariamente à Polícia Federal (PF) até as 17 horas de sexta-feira, mas preferiu se trancar no sindicato e se entregar apenas ontem, como um último ato de afronta à legislação. 

Lula perdeu em todas as instâncias no processo em que é acusado de receber vantagens indevidas do caso conhecido como “tríplex do Guarujá (SP)”. Os recursos posteriores à decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que negou o habeas corpus ao petista na última quarta-feira, são estéreis. O ex-presidente e os fanáticos militantes precisam aceitar a decisão judicial. Isso faz parte do processo democrático. Lula pôde se defender em todas as instâncias, mas os juízes entenderam que ele era culpado. 
A prisão de Lula, no entanto, não é motivo de comemoração. Dentro do ódio político instalado no país, muitos críticos do petista fizeram festa nas ruas, soltaram rojões e até estouraram espumantes. No entanto, a prisão de um ex-presidente da República é algo triste para o Brasil, pois mostra que algo está muito errado. É a primeira vez que um ex-presidente vai para cadeia em um processo criminal por corrupção. 
Lula tornou-se símbolo de um país que se acostumou às propinas, ao assistencialismo e ao paternalismo de falsos heróis. Agora, a política brasileira terá de se acostumar a viver oficialmente sem Lula, algo que parecia impossível. O petista, inegavelmente, é um líder carismático e popular, o que torna sua prisão mais dramática. 
É claro que sua atuação no comando do país acabou sendo nefasta, ao adotar uma política econômica equivocada, que colocou a ideologia em primeira plano, ajudando a afundar o Brasil em uma crise sem precedentes, que se confirmou com o mandato catastrófico de Dilma Rousseff. Além disso, o PT sistematizou e aprofundou a corrupção já existente no seio do governo federal. 
A Operação Lava Jato está varrendo a corrupção no Brasil, mas é importante que esse trabalho continue em todas as esferas e siglas partidárias. Há outros políticos de grande estatura na fila, que também precisam ser presos para que a justiça seja completa e isenta. O STF, que se mostrou implacável com Lula, não pode passar a mão na cabeça de outros políticos de diversos partidos. Se Lula foi preso por conta do tríplex, é inaceitável que políticos ligados a helicópteros cheios de cocaína, a malas de dinheiro ilícito e que ameaçam “matar delatores” em gravações telefônicas continuem soltos. Depois de Lula, quem será o próximo? Essa deve ser a pergunta dos que aplaudem a prisão do petista.