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Desbloqueada em protesto, Estrada do Ceboleiro tem fluxo intenso de veículos

Renan Vallim

| Edição de 31 de maio de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O muro construído na Estrada do Ceboleiro, que liga Arapongas a Rolândia, não impede mais o tráfego de veículos que querem desviar do pedágio na BR-369. A barreira é alvo de polêmica e motivou o surgimento do movimento Tarifa Zero, que pede isenção da tarifa para moradores dos dois municípios ou a liberação dessa via alternativa. No último sábado, um grupo de motoristas realizou um protesto no local e, por conta própria, reabriu o acesso à estrada por Arapongas. Desde então, o fluxo de veículos passou a ser intenso no local, incluindo caminhões. A Viapar, concessionária responsável pelo pedágio, alega que construiu o muro com autorização judicial.

Ontem, a reportagem da Tribuna percorreu um trecho de três quilômetros da Estrada do Ceboleiro, que contorna a praça de pedágio. Segundo lideranças, essa via existe há mais de 40 anos, ligando o Bairro do Ceboleiro, em Rolândia, ao centro do mesmo município. Há alguns anos, uma pequena passagem rural, que prolonga a via até o Parque Industrial de Arapongas, foi transformada por populares em estrada de chão. Esse prolongamento passa por trás da Expoara e se tornou uma alternativa para que os motoristas não passassem pelo pedágio de Arapongas.

Imagem ilustrativa da imagem Desbloqueada em protesto, Estrada do Ceboleiro tem fluxo intenso de veículos
Caminhoneiros usam desvio para "fugir" do pedágio em Arapongas (Foto: Sérgio Rodrigo)

O trecho em questão se inicia no meio da Rua Saracura do Mangue, no Parque Industrial araponguense. O percurso de 1,5 quilômetro de estrada de chão passa por entre torres de alta tensão, ladeia a linha férrea e oferece acesso a diversas propriedades rurais. Após o desbloqueio feito no sábado, o tráfego é intenso, sendo composto tanto por motos e veículos de passeio quanto por caminhões e carretas mais pesadas.

A estrada se tornou o centro da discussão do movimento Tarifa Zero depois de ter sido fechada. Em dezembro, um muro de mais de 1 quilômetro foi construído pela Viapar para evitar que os motoristas burlem a cobrança. Mas uma nova estrada foi construída na área de domínio da linha férrea, passando por fora do muro. Na semana passada, populares retiraram um monte de terra e entulho que bloqueava o acesso à estrada em Arapongas, liberando a passagem de todos os veículos. 

A estrada de chão termina na divisa entre os dois municípios. A partir daí, já em território rolandense, a via é asfaltada e segue por mais 1 quilômetro, passando pelo Bairro do Ceboleiro. Nesse ponto, o motorista pode tomar dois caminhos para retornar à BR-369. O primeiro, asfaltado, tem 500 metros e sai próximo a um posto de gasolina. O segundo, pavimentado com paralelepípedos, sai um pouco mais adiante, próximo ao viaduto de acesso a Rolândia, e tem pouco mais de 1 quilômetro. Este segundo acesso é o mais utilizado por quem trafega no sentido Rolândia-Arapongas. O desvio total possui em torno de 3 quilômetros.

MOVIMENTO
Ontem, o fluxo na estrada era intenso. O empresário araponguense Everton Correa é um dos que defendem a rota alternativa. “Tenho clientes em Rolândia e preciso ir sempre para lá. Pagar pedágio toda vez encarece muito os custos”, afirma. Caminhoneiros são os que mais veem vantagens na estrada, como o rolandense Edson Marchi. “Faço em torno de 25 viagens por mês nesta estrada. O gasto com pedágio chega a R$ 1,7 mil. Pagar tudo isso não tem condição. A Estrada do Ceboleiro é a alternativa que temos”, diz.
Moradora de uma propriedade rural próxima ao Bairro do Ceboleiro, a aposentada Idalina Pereira Torres conta que o movimento na estrada aumentou bastante. “Antes, não passava ninguém por aqui. Agora há um grande movimento. Eu entendo os motoristas. A situação está complicada para todos”.