O muro construído na Estrada do Ceboleiro, que liga Arapongas a Rolândia, não impede mais o tráfego de veículos que querem desviar do pedágio na BR-369. A barreira é alvo de polêmica e motivou o surgimento do movimento Tarifa Zero, que pede isenção da tarifa para moradores dos dois municípios ou a liberação dessa via alternativa. No último sábado, um grupo de motoristas realizou um protesto no local e, por conta própria, reabriu o acesso à estrada por Arapongas. Desde então, o fluxo de veículos passou a ser intenso no local, incluindo caminhões. A Viapar, concessionária responsável pelo pedágio, alega que construiu o muro com autorização judicial.
Ontem, a reportagem da Tribuna percorreu um trecho de três quilômetros da Estrada do Ceboleiro, que contorna a praça de pedágio. Segundo lideranças, essa via existe há mais de 40 anos, ligando o Bairro do Ceboleiro, em Rolândia, ao centro do mesmo município. Há alguns anos, uma pequena passagem rural, que prolonga a via até o Parque Industrial de Arapongas, foi transformada por populares em estrada de chão. Esse prolongamento passa por trás da Expoara e se tornou uma alternativa para que os motoristas não passassem pelo pedágio de Arapongas.
O trecho em questão se inicia no meio da Rua Saracura do Mangue, no Parque Industrial araponguense. O percurso de 1,5 quilômetro de estrada de chão passa por entre torres de alta tensão, ladeia a linha férrea e oferece acesso a diversas propriedades rurais. Após o desbloqueio feito no sábado, o tráfego é intenso, sendo composto tanto por motos e veículos de passeio quanto por caminhões e carretas mais pesadas.
A estrada se tornou o centro da discussão do movimento Tarifa Zero depois de ter sido fechada. Em dezembro, um muro de mais de 1 quilômetro foi construído pela Viapar para evitar que os motoristas burlem a cobrança. Mas uma nova estrada foi construída na área de domínio da linha férrea, passando por fora do muro. Na semana passada, populares retiraram um monte de terra e entulho que bloqueava o acesso à estrada em Arapongas, liberando a passagem de todos os veículos.
A estrada de chão termina na divisa entre os dois municípios. A partir daí, já em território rolandense, a via é asfaltada e segue por mais 1 quilômetro, passando pelo Bairro do Ceboleiro. Nesse ponto, o motorista pode tomar dois caminhos para retornar à BR-369. O primeiro, asfaltado, tem 500 metros e sai próximo a um posto de gasolina. O segundo, pavimentado com paralelepípedos, sai um pouco mais adiante, próximo ao viaduto de acesso a Rolândia, e tem pouco mais de 1 quilômetro. Este segundo acesso é o mais utilizado por quem trafega no sentido Rolândia-Arapongas. O desvio total possui em torno de 3 quilômetros.
MOVIMENTO
Ontem, o fluxo na estrada era intenso. O empresário araponguense Everton Correa é um dos que defendem a rota alternativa. “Tenho clientes em Rolândia e preciso ir sempre para lá. Pagar pedágio toda vez encarece muito os custos”, afirma. Caminhoneiros são os que mais veem vantagens na estrada, como o rolandense Edson Marchi. “Faço em torno de 25 viagens por mês nesta estrada. O gasto com pedágio chega a R$ 1,7 mil. Pagar tudo isso não tem condição. A Estrada do Ceboleiro é a alternativa que temos”, diz.
Moradora de uma propriedade rural próxima ao Bairro do Ceboleiro, a aposentada Idalina Pereira Torres conta que o movimento na estrada aumentou bastante. “Antes, não passava ninguém por aqui. Agora há um grande movimento. Eu entendo os motoristas. A situação está complicada para todos”.