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Desconto no preço do diesel chega a R$ 0,30 em Apucarana

Renan Vallim

| Edição de 02 de agosto de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Apesar do Governo Federal ter garantido estender o desconto de R$ 0,46 no preço do óleo diesel até dezembro, este corte deve continuar longe de boa parte dos postos de combustíveis de Apucarana. De acordo com levantamento feito pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), o repasse médio feito nos estabelecimentos locais foi de R$ 0,30, valor 35% menor do que o determinado pelo governo.

Na última pesquisa de preços feita pela agência governamental antes da greve dos caminhoneiros, o valor médio cobrado pelo litro do diesel nos postos de Apucarana era de R$ 3,52. Hoje, dois meses depois do fim da paralisação, a média está em torno de R$ 3,22. Isto configura a aplicação de um desconto médio de R$ 0,30, o que equivale a 65% dos R$ 0,46 propostos pelo Governo Federal.
“Alguns postos repassaram os R$ 0,46, mas não são todos. Verificamos que o repasse, na maioria dos estabelecimentos, não foi feito em sua totalidade. Mesmo assim, a redução de preço tem sido feita dentro de uma margem razoável entre aqueles postos que não fizeram o repasse total”, afirma José Carlos Balan, chefe do Procon de Apucarana.
Ele lembra que, observando a discrepância entre o desconto proposto pelo governo e o valor praticado nas bombas, notificou recentemente as distribuidoras de combustíveis que atuam na cidade. “Levantamos que o preço do diesel é composto por outras variáveis além daquelas em que o governo cortou custos, como frete, recomposição do produto, custos operacionais, ICMS estadual, entre outros. Portanto, não há como o desconto total do Governo Federal ser repassado integralmente”.
Já em Arapongas, o preço médio do litro do diesel passou de R$ 3,68, antes da greve, para R$ 3,24 atualmente, resultando em um desconto de R$ 0,44.
A greve dos caminhoneiros aconteceu entre os dias 21 e 31 de maio deste ano, com paralisações em rodovias de todo o Brasil. Uma das reivindicações era a redução do preço do diesel, que foi acatada pelo governo. A reportagem da Tribuna percorreu postos de combustíveis de Apucarana na tarde de ontem e constatou que, de 10 postos observados, apenas dois traziam um cartaz informando do desconto, como orientou o Planalto ao propor a medida.

Caminhoneiros aprovam manutenção do desconto
Foi publicada na edição de ontem do Diário Oficial da União a medida provisória assinada pelo presidente Michel Temer (MDB) que mantém até o dia 31 de dezembro o subsídio de até R$ 0,30 por litro no comércio do óleo diesel rodoviário. O objetivo é garantir o desconto de R$ 0,46 no litro do diesel acordado com caminhoneiros durante greve da categoria. Os outros R$ 0,16 de desconto virão da redução de impostos como o PIS/Cofins e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide).
Segundo André Pereira, caminhoneiro e um dos líderes da paralisação ocorrida na região de Apucarana, a notícia foi bem recebida pelos profissionais do setor. “Teremos mais cinco meses para ‘respirar’ um pouco mais, com o preço do diesel menor. É algo positivo, que irá ajudar muito os profissionais da categoria”, diz.
Porém, segundo ele, os caminhoneiros estão enfrentando problemas em outra reivindicação atendida pelo governo: o tabelamento do frete. “Muitas empresas estão cumprindo com o acordo. Mas alguns caminhoneiros estão sofrendo retaliações de empresas ao solicitar o pagamento de acordo com a tabela de frete do governo. Eu mesmo cheguei a ser impedido de carregar meu caminhão em uma cooperativa da cidade. Precisamos de mais fiscalização. Apesar disso, a paralisação valeu a pena. Mostramos que temos força e que temos condições de lutar pelo que queremos”, ressaltou.