Criado em 1930 por Getúlio Vargas, o Ministério do Trabalho perdeu importância, juntamente com funcionários e prédios. O desmonte da estrutura do ministério está longe de ser recente e é fruto de anos de falta de investimento. A estimativa mais recente, feita em 2016 - um ano depois da fusão entre Ministério do Trabalho e Previdência Social -, aponta que Brasil tem cerca de 2,5 mil auditores fiscais do trabalho - o menor número em vinte anos -, a despeito do aumento da população e da massa de trabalhadores.
Com cerca de 1,1 mil cargos vagos apenas para essa categoria de servidores, o problema virou inclusive ação judicial impetrada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT).
Na região, o problema não é nem de auditores - um cargo que há muito tempo está vago - mas abarca a estrutura das agências como um todo. O atendimento, que sempre registrou problemas com falta de funcionários, chegou a tal nível que, em julho do ano passado, a agência de Apucarana simplesmente fechou as portas por cerca de um mês por conta das férias do único servidor de carreira do escritório - outros serviços como vigilância e limpeza são terceirizados.
Recentemente, a agência regional ganhou mais um funcionário. O remanejamento, entretanto, criou outro problema porque o servidor que foi designado para Apucarana era o único que atendia na agência de Arapongas, que foi fechada.
Atualmente, portanto, toda a região - uma área de 20 municípios - tem apenas uma agência em funcionamento, que conta com dois funcionários para atender demandas de mais de 300 mil habitantes.
Até por conta da estrutura, a agência atende apenas demandas simples, como orientações, acompanhamento de rescisões quando não há representação sindical no município, entre outros, uma vez que fiscalização das condições de trabalho é papel do auditor, cargo em aberto na região, cuja solicitação de visita - segundo informou a agência de Apucarana - pode demorar até 30 dias para ser atendida.
A própria confecção da Carteira de Trabalho, principal documento da vida do trabalhador, há tempos foi assumida por outros órgãos.
O desmonte das agências obriga trabalhadores e empresas a se deslocar longas distâncias para receber atendimento, em um retrocesso inaceitável para uma sociedade que precisa de respostas rápidas. Enquanto se discute a polêmica escolha do presidente Michel Temer (PMDB) para assumir a pasta, a deputada Cristiane Brasil (PTB), que briga na Justiça para assumir o cargo, melhor seria discutir a qualidade do serviço prestado pelo ministério aos trabalhadores e às empresas.
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