As doações de órgãos aumentaram 50% entre janeiro e julho de 2018, na comparação com o mesmo período do ano passado nos hospitais da região. O aumento foi influenciado pela redução nas recusas das famílias dos doadores. O índice de familiares que negaram a doação de órgãos passou, de 40% em 2017, para 33,3% neste ano. Os dados foram fornecidos pela Central de Transplantes do Paraná compreendem o período de janeiro a julho.
A doação de órgãos é possível quando um paciente registra morte encefálica, mas os órgãos continuam funcionando normalmente. Nestes casos, a família é contatada para decidir se os órgãos devem ou não ser captados. Na região, estão aptos a realizar o procedimento os hospitais da Providência, em Apucarana; o Norte Paranaense (Honpar), em Arapongas; e o Bom Jesus, de Ivaiporã. De acordo com dados da Central Estadual de Transplantes do Paraná, o Hospital da Providência
De oito casos aptos à doação neste ano, o Hospital da Providência registrou seis doações concretizadas, com apenas dois casos de recusa familiar, ou 25%. O resultado é melhor do que o mesmo período do ano passado quando, de 13 casos, houve recusa em seis, ou 46%. Casos em que houve contraindicação médica, morte encefálica não confirmada ou parada cardiorrespiratória não foram contabilizados. Na maior parte dos casos, as famílias não chegam a ser consultadas nestas três situações, porque a doação fica inviabilizada.
A enfermeira Gredielli Rigobelo Luiz é coordenadora da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) para pacientes adultos do Hospital da Providência. Ela também ocupa a vice-coordenação da Comissão Intra-Hospitalar de Doação de Órgãos e Tecidos para Transplantes (CIHDOTT), que recebeu treinamento especializado no último ano.
“Acredito que a redução nas recusas se deve a dois fatores. O primeiro é o trabalho realizado no sentido de capacitar ainda mais as enfermeiras, com o objetivo de aumentar as chances de doação. O segundo foi especializar um profissional para realizar o recebimento, acolhida e acompanhamento de familiares de pessoas com potencial de doação, tirando dúvidas e esclarecendo quanto ao procedimento”, diz.
Apesar da diminuição da recusa, ainda há famílias que negam a doação. “Muitas famílias não conversam sobre a doação de órgãos e, quando um momento crítico como este acontece, muitos ficam sem saber como agir. Por isso, é importante que as famílias conversem e que as pessoas manifestem o desejo de serem doadores, já que através da doação há a possibilidade de salvar várias outras vidas”, lembra ela.
Em Arapongas, o Honpar registrou 12 doações realizadas nestes primeiros meses de 2018, além de sete recusas de familiares, um índice de 37%. No ano passado, foram quatro doações e uma recusa, índice de 20%.
Já o Hospital Bom Jesus, de Ivaiporã, não registrou casos passíveis de doação de órgãos e tecidos em 2018. Entre janeiro e julho do ano passado, houve uma doação e uma recusa familiar.
O Paraná é o estado que mais registrou doações de órgãos no primeiro semestre de 2018. Foram 50 doações a cada milhão de habitantes. A média nacional é de 17. No período, houve 602 notificações de potenciais doadores e 284 doações efetivas.
O Estado ainda é líder em transplante renal, com 60 doações a cada um milhão de habitantes. De janeiro a junho, 343 transplantes do órgão foram concretizadas no Estado.
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