A Polícia Civil de Apucarana prendeu um homem e uma mulher suspeitos de envolvimento de estupro de uma menina de 12 anos dentro de um veículo do transporte escolar da rede municipal de ensino. Hilton Luiz da Cunha, de 52 anos, era o motorista do ônibus que levava a vítima à escola. Já Ariana de Souza Costa, de 35 anos, era a monitora dos alunos. Os dois trabalhavam para uma empresa terceirizada, contratada pela prefeitura, que teve o contrato suspenso pela Autarquia Municipal de Educação.
O caso começou a ser investigado em junho do ano passado pela Delegacia da Mulher de Apucarana, após a autarquia receber uma denúncia da família da menina que o motorista teria tentando beijar a criança. A polícia foi comunicada sobre o comportamento suspeito do motorista e monitora, que foram afastados imediatamente das funções por determinação da prefeitura. Segundo a polícia, na época, a menina não teve coragem de contar o que realmente havia ocorrido, pois teria sofrido ameaças.
Em fevereiro deste ano, entretanto, Hilton retornou para o trabalho na mesma linha de ônibus. A vítima mora na zona rural do município. De acordo com a polícia, a menina entrou em pânico quando reencontrou o suspeito e não quis mais frequentar a escola. O comportamento chamou a atenção dos pais que, após várias conversas, descobriram sobre o estupro. “Então a família procurou a delegacia e contou que a menina havia sido estuprada pelo motorista com a participação da outra indiciada”, disse o delegado-chefe da 17º SDP, José Aparecido Jacovós.
De acordo com a polícia, no dia do abuso, a menina era a única passageira do ônibus. O inquérito aponta ainda, que teriam havido duas tentativas de estupro na mesma semana, até que o motorista conseguiu consumar o crime. Segundo a polícia, a monitora estava presente e teria segurado a vítima.
O motorista teria desviado o veículo da rota para cometer o crime, que ocorreu na área rural. “A menina contou em depoimento que no trajeto, enquanto a mulher a distraia mostrando um vídeo com cenas violentas, o motorista seguiu com o ônibus para um lugar que ela desconhecia. O estupro ocorreu nesse local”, explicou a delegada Luana Lopes, da Delegacia da Mulher.
Ela classificou o crime como chocante. “É um fato que revolta, porque os pais acreditam que as crianças estejam em segurança quando estão em uma linha de ônibus escolar. Por isso, tivemos muito cuidado ao efetuar a prisão. Infelizmente, não resta dúvida que a menor foi realmente estuprada e, por ter sido ameaçada, ela não teve a coragem de contar na época”, afirma.
O laudo pericial do Instituto Médico Legal (IML) de Apucarana aponta indícios que sustentam a versão da vítima. A prisão é temporária e a Polícia Civil já pediu a prisão preventiva de ambos. Os dois devem ser indiciados pelos crimes de estupro de vulnerável, tentativa de estupro e ameaça.
Autarquia suspende contrato com empresa
Em nota, a AME informou que suspendeu o contrato com a empresa prestadora de serviço e que um processo administrativo foi instalado. Segundo a diretora do departamento jurídico da autarquia, Elaine Caliman Soares, desde que a denúncia veio à tona, no ano passado, todas as medidas cabíveis foram tomadas. O caso foi levado imediatamente às autoridades competentes, à Polícia Civil e ao Conselho Tutelar, e de imediato foi determinado o afastamento do motorista e da monitora contratados pela terceirizada. “Assim que tomamos conhecimento que o motorista havia retomado a linha, suspendemos o contrato”, afirmou.
O advogado José Teodoro Alves, que representa Hilton Luiz da Cunha, afirma que o acusado nega o estupro. “É uma história mirabolante. Há muito ainda desta história que precisa ser esclarecida. A menina deu duas declarações diferentes, uma à época do suposto crime e outra no início deste ano. Ainda é muito prematuro para concluir algo. Vamos pleitear a revogação da prisão e também um habeas corpus”, afirmou o delegado.
Já o advogado Maurício Baldassarre representa Ariana de Souza Costa. Ela também nega envolvimento no caso. “Ela fazia aquela rota apenas eventualmente, como forma de complementar a renda, visto que o filho dela também era transportado por aquela linha. Ela alega não ter participado do estupro e afirma que na data em questão, não estava trabalhando. Ela estava em outra cidade e inclusive tem testemunhas”, diz ele.