Nem supérfluos, nem industrializados. Quem faz compras sabe que nos últimos meses os vilões da inflação são os alimentos básicos, que integram o cardápio do dia a dia do brasileiro. Pesquisa realizada pelo escritório regional de Ivaiporã do Departamento de Economia Rural (Deral) com os vinte alimentos mais consumidos na região coloca o feijão, a batata e a laranja no topo da alta de preços. O feijão carioca, em falta em todo Brasil, subiu 290% desde junho do ano passado.
Com problemas de abastecimento semelhantes, a batata aparece na sequência na lista dos vilões da inflação do ‘prato feito’ com alta de 142%, seguida pela laranja, que subiu 64%. O tomate, outro produto que volta e meia é apontado como fator de pressão no IPC, subiu 48%.
Os números divulgados nesta semana pela Seab mostram que nos últimos 12 meses, na média, os vinte itens subiram 26,56%, quase o triplo da inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC-15/IBGE) , que no mesmo período foi de 8,98%.
No total, 17 produtos ficaram mais caros nos últimos 12 meses e apenas três tiveram queda de preço (ver tabela). A cebola está entre os produtos que tiveram a maior queda de preço nos últimos meses, o produto era vendido nas prateleiras em 2015 à R$ 6,39, agora é comercializado por R$ 2,87 o quilo. A farinha de trigo também teve os preços reduzidos, no ano passado o pacote de um quilo custava R$ 2,59 passou para R$ 2,28. Apesar da queda nos preços de alguns alimentos, se o consumidor resolver comprar as mesmas mercadorias na mesma quantidade, ele vai desembolsar hoje R$ 26,81 a mais que junho do ano passado.
Segundo o engenheiro agrônomo do Deral, Randolfo Oliveira, a cotação dos preços de varejo regional é realizada mensalmente durante o ano todo, nos mesmos estabelecimentos comerciais. As marcas e os tipos de produtos também são levados em consideração.
“Existe uma variedade enorme de marcas e tipos de alimentos. As pesquisas são feitas de forma sincronizada nos mercados da região, procurando uma melhor avaliação da evolução dos preços”, destaca Oliveira.
Ele explica que a pressão dos preços se dá por motivos de mercado e produção. O feijão carioca, por exemplo, apresenta uma alta histórica porque há falta de produto no mercado por conta de perdas na lavoura e restrição de área de produção. Processo semelhante corresponde a evolução dos custos da batata. E os reflexos dos efeitos climáticos nas lavouras ainda vão impactar no bolso do consumidor. As perdas com a cultura do milho, que enfrentou estiagem em abril e maio e em junho foi atingido por geadas severas já começam a surtir efeitos na cadeia produtiva de carnes, ovos e leite. Este último, na entressafra, já apresenta uma alta significativa de preços. Além da quebra estimada na produção, o milho está bastante valorizado no mercado internacional, o que incentiva a exportação do produto.
O aumento no preço dos alimentos preocupa consumidores. O casal de aposentados Elza de Fátima Martins e Antônio Machado reclama. “Aumentou tudo, principalmente de dois anos para cá”, reclama Elza de Fátima. “Está complicado, porque a cada ano que passa o valor que recebo da aposentadoria vai caindo, em compensação os preços da mercadorias aumentam, mais e mais”, avalia Machado.