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Em um mês, cesta básica fica até R$ 23 mais cara em Apucarana e Arapongas

Cindy Santos

| Edição de 09 de maio de 2022 | Atualizado em 09 de maio de 2022
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O preço da cesta básica está R$ 23,6 mais cara em Apucarana. É o que aponta a pesquisa mensal do Núcleo de Conjuntura Econômica e Estudos Regionais (Nuces) do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar) que levantou custo de 13 itens. No acumulado do ano, o preço da cesta básica já subiu 22,68% no município. Em Arapongas, onde a pesquisa também é realizada, o custo aumentou 17,19% entre janeiro a abril.

Levantamento do Nucer em Apucarana mostra uma alta de 3,51% no preço da cesta em Apucarana, que passou de R$ 674,64 em março para R$ 698,31 em abril. Desta vez, a vilã da inflação foi a batata que ficou 31,26% mais cara. Os outros itens que apresentaram aumentos de preços relativos foram a manteiga (13,71%), leite (8,05%), óleo de soja (6,05%), feijão (3,26%), banana (3,20%), arroz (2,78%), café em pó (2,75%), açúcar (2,10%), pão francês (1,73%) e a carne bovina (1,14%). A farinha de mandioca e o tomate apresentaram reduções de preços em 0,98% e 0,45%, respectivamente.

A pesquisa mostra ainda que o custo da cesta básica regional equivale a 57,6% do valor do salário mínimo de abril, que é de R$ 1.212 mensais. Já o salário mínimo ideal para os trabalhadores da região, com base nos critérios metodológicos da pesquisa, ficou estimado em R$ 4.504,59.

Considerando o custo atual da cesta básica o tempo de trabalho necessário para que um trabalhador remunerado pelo salário mínimo vigente na região, na data da coleta dos dados, consiga comprar a referida cesta ficou equivalente a 126 horas e 45 minutos.

ARAPONGAS

Em Arapongas, a cesta básica teve aumento de 2,45%, passando dos R$ 700,10 de março para R$ 717,28 em abril de 2022. Lá, a batata também foi o item com maior elevação de preço, 35,94%, seguida pelo leite (10,14%), farinha de mandioca (6,95%), feijão (6,49%), pão francês (5,15%), manteiga (4,98%), óleo de soja (4,11%), café em pó (2,00%) e açúcar (0,09%). Os produtos que apresentaram reduções de preços foram o tomate (-4,17%), a banana (-2,55%) e a carne bovina (-0,12%). O preço do arroz não variou no mês de abril deste ano.

Alta demanda e guerra na Ucrânia elevam preços, diz economista

Para o economista Rogério Ribeiro, professor da Unespar e coordenador da pesquisa, as sucessivas altas têm relação com o excesso de demanda no mundo que pressiona os preços das commodities para cima. O encarecimento dos produtos alimentícios também são efeito do conflito entre Rússia e Ucrânia bem como a pressão do câmbio que potencializa os aumentos de preços no mercado internacional.

“A inflação se tornou uma preocupação para todas as economias do globo. Até quem não se preocupava muito, como é o caso dos Estados Unidos e a zona do Euro, está sendo massacrado pelo aumento dos preços”, analisa.

Ribeiro analisa que o cenário econômico era criava expectativas de elevações mais fortes nos preços, contudo o aumento recente dos juros provocou uma elevação das divisas e a valorização de nossa moeda. “Com isto os preços deram uma desacelerada nos meses de março e abril”, explica.

O professor alerta que com novo reajuste no preço do diesel anunciado ontem pela Petrobras é certo que ocorrerá um efeito em cadeia com aumento nos preços dos alimentos. “Portanto, há a expectativa de mais aumentos de preços dos alimentos nos próximos meses. Para combater a inflação os governos dispõem somente da política monetária, através da taxa Selic. O que precisa ser feito é criar uma espécie de “colchão” para abrandar o aumento dos preços dos alimentos para as camadas mais pobres da sociedade”, pontua.