A quantidade de pessoas que conquistaram o direito de dirigir na região está crescendo na região. De janeiro a setembro deste ano, 2.956 pessoas conseguiram a 1ª habilitação nos municípios de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã, segundo dados do Departamento de Trânsito (Detran). A quantidade de Carteiras Nacionais de Habilitação (CNHs) emitidas é 12,4% maior que no mesmo período do ano passado, quando foram 2.629 pessoas foram habilitadas. O aumento está na contramão dos números estaduais, que registraram, nos primeiros oito meses do ano uma queda de 24%.
Na região, o crescimento foi puxado principalmente pelo aumento em Arapongas, que registrou um número 40% maior de emissões. Foram emitidos neste ano 1.138 documentos contra 801 no mesmo período do ano passado. Em Apucarana e Ivaiporã, os números praticamente se mantiveram os mesmos. Foram emitidas 1.172 CNHs entre janeiro e setembro em Apucarana, contra 1.177 no mesmo período do ano passado. Em Ivaiporã foram 646 documentos em 2018 e 651 no ano passado.
A região está na contramão do que vem ocorrendo no Estado. Conforme o departamento nos primeiros oito meses deste ano foram 90,8 mil emissões de documento em todo estado, contra 120,2 mil no ano passado, uma queda de 24%. A redução do número de CNHs vem se acentuando nos últimos quatro anos. No somatório do período, a queda é de 49,4%.
Segundo o Detran, a queda está relacionada com diversos fatores que levam os jovens a tirarem a carteira de habilitação das prioridades ao completar 18 anos, com outras opções de mobilidade.
Para o presidente da Associação das Autoescolas de Apucarana, Rildo Galeriani, o ‘efeito mobilidade’ não tem o mesmo impacto no interior e nos grandes centros urbanos, onde o fenômeno do desinteresse dos jovens pela habilitação é mais acentuado. “Nas cidades maiores, o trânsito é mais violento, manter um carro é mais caro porque as distâncias são maiores, tem Uber, hoje todas as grandes cidades apostam em ciclovia, o transporte público é mais desenvolvido. Tudo isso afasta o jovem da primeira habilitação, que deixa de ser prioridade. No interior isso não funciona do mesmo jeito”, comenta.
Ele destaca que na região, a moto é o grande atrativo do jovem para primeira habilitação. “Setenta por cento dos alunos tem por objetivo a habilitação para moto, que é um veículo mais barato”, comenta.
O principal perfil de quem procura pela primeira habilitação é o jovem de 18 anos. Eles são responsáveis por 46,7% dos processos abertos neste ano (ver infográfico). (COLABOROU IVAN MALDONADO)
Custo pesa
na decisão
Além do efeito mobilidade, o custo do processo de habilitação influencia na tomada de decisão para quem vai tirar CNH. Entre taxas, aulas, cursos, o processo varia entre R$ 2,7 mil a R$ 3 mil para habilitação mais comum, a AB, para motos e automóveis.
Para o instrutor e dono de Auto Escola, de Ivaiporã, Gerson Ferro Junior, o fator custo tem impacto direto nos números. Ele acredita que o desempenho seria melhor a conjuntura fosse mais positiva. “Nos últimos anos houve aumento das taxas, no preço do combustível que onera bastante o custo das aulas práticas, mais o simulador. Em tempos de crise, em que as pessoas cortam gastos, elas acabam deixando a CNH para um segundo plano”.
É o caso de Naiane Franciele Ferreira, 21 anos, que está fazendo em processo de habilitação. Ela comenta que só está fazendo a primeira habilitação por conta de um emprego que conseguiu, que exige o documento. “Até tinha vontade de fazer quando fiz 18 anos, mas está caro tirar a habilitação. Se não fosse pelo emprego com certeza não iria fazer este ano”, comenta.