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Ensino médio perde 3 alunos por dia

Vanuza Borges

| Edição de 14 de maio de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A cada dia, pelo três alunos abandonaram a sala de aula do ensino médio durante o ano letivo de 2016 nos municípios que integram o Núcleo Regional de Educação (NRE), de Apucarana. Quase dois mil estudantes da região não concluíram o ano letivo, seja porque desistiram da escola ao longo de 2016 ou porque não atingiram os critérios mínimos para a aprovação, que inclui tanto nota quanto presença.

Imagem ilustrativa da imagem Ensino médio perde 3 alunos por dia

Cerca de 750 estudantes abandonaram as salas de aula. O número, apesar de expressivo, é considerado um avanço por representar uma redução de 3,73% quando comparado com o ano anterior. Em 2015, a taxa de abandono era de 10,83% e caiu para 7,10%, em 2016.
Por outro lado, entretanto, o índice de reprovação aumentou 4,2% no último ano, passando de 7,25% para 11,45%. O ensino médio tem cerca de 10, 8 mil alunos na região.
Em Apucarana, o índice de abandono escolar foi de 5,66%. Em Arapongas, o índice também é bem próximo, 5,77%. Os dois municípios apresentaram uma leve redução, de 1,02% e 1,33% respectivamente em comparação ao ano anterior. A maioria dos municípios apresentam uma diminuição semelhante, variando em 1 e 3%.
Porém, alguns municípios chamam a atenção. No relatório, Marumbi, e Mauá da Serra simplesmente conseguiram por zerar o índice, de um ano para outro. Marumbi, por exemplo, registrou 14,49% em 2014, passando para 28,74% em 2015 e zerou em 2016. Mauá da Serra também apresenta o mesmo fenômeno, passando de 11,66%, para 14,59% e 0%. Rio Bom há dois anos mantém o índice zerado.
Por outro lado, o índice de reprovação aumentou na maioria dos municípios. Em Apucarana, o percentual saltou de 10,66% para 16,16%. Em Arapongas, o aumento foi menos expressivo, passou de 8,20% para 9,31%. Já em outros municípios é possível perceber a alta. Por exemplo, em Borrazópolis, em 2015, a taxa de reprovação era de 2,13%, saltando para 8,78%. Califórnia também teve um aumento significativo saiu de 4,04% para 7,29%.
Cambira é ainda mais expressivo passou de 7,44% para 21,81%, assim como Jandaia do Sul que passou de 8,81% para 11,13%, e Mauá da Serra, de 4,26% para 23,66%. Na contramão também apenas três municípios: Bom Sucesso, que registrou 11,24% e caiu para 6,11%; Kaloré, que reduziu de 7,97% para 6,13%; e Rio Bom, que baixou de 11,63% para 10%.
O ensino fundamental também apresenta comportamento semelhante, de 2015 para 2016, a queda foi de 0,82%. Ou seja, passou de 1,98% para 1,16%. Assim como ocorre no ensino médio, a reprovação apresentou alta, de 3,97%.

REPROVAÇÃO
A chefe do Núcleo Regional de Educação (NRE), de Apucarana, Maria Onide Balan Sardinha, avalia o que o índice de reprovação superior a 10% não é aceitável. “Está muito alto. Vamos analisar as causas tanto da reprovação quanto do abandono para tentar reverter esse quadro”, diz.
Maria Onide argumenta que vários fatores influenciam diretamente no abandono e também na reprovação. “A frequência é essencial para o estudante manter o ritmo de estudo, quando começa a faltar, consequentemente, não consegue acompanhar a turma e acaba desistindo”, pontua.
Além disso, ela cita outros fatores como, no caso das meninas, gestação na adolescência, a necessidade de ter que ficar em casa para cuidar de irmãos menores ou idosos, o trabalho e também a drogadição.

Programa visa reduzir índices
Quanto ao abandono escolar, a chefe do NRE, Maria Onide Balan Sardinha, argumenta que as escolas têm colocado em prática o Programa de Combate ao Abando Escolar. Ela explica que a iniciativa visa resgatar estudantes com cinco faltas consecutivas ou sete faltas alternadas. “Quando isso ocorrer, a equipe pedagógica entra e, contato com o estudante e com os responsáveis para identificar as causas das faltas. Se necessário, é acionada a rede de proteção, que incluiu os serviços de saúde e também órgãos da Justiça e Assistência Social”, diz.
Além disso, Maria Onide frisa que o NRE está desenvolvendo uma parceria com a Associação Comercial e de Serviços de Apucarana (Acia), para evitar que o aluno deixe a escola. “Vamos realizar uma palestra com os empresários abordando a importância do ensino na vida dos jovens e, claro, profissionais”, diz.
Outro ponto, segundo a chefe do NRE, é tornar o ensino médio mais atrativo. “Vamos trabalhar para atrair mais cursos para a educação profissional, para que esses jovens se sintam mais motivados a estudar. Para isso, também estamos incentivando projetos que valorizem a educação, valorizem os alunos, porque para ter uma boa educação é preciso ter uma boa gestão em todas as esferas, diz.
Entretanto, ela também não descarta que a greve e as ocupações possam ter contribuído para aumentar o abando escolar e também ao índice de reprovação. “Tudo traz consequências”, pontua.