O Colégio Estadual do Campo Doutor Júlio Junqueira, localizado no Distrito de Aricanduva, em Arapongas, tem 70 anos de história e integra a lista das cinco instituições de ensino que completaram aniversário junto com a Secretaria de Estado da Educação (Seed). Neste período, a unidade de ensino passou por várias denominações, mas sempre esteve voltada para a educação do campo, diretriz que segue até os dias atuais. Atualmente, 277 alunos estudam na escola, que oferta o ensino fundamental e médio. A maioria dos estudantes, assim como no passado, moram em chácaras e no assentamento Dorcelina Folador.
Em sete décadas, a estrutura de madeira construída em 1947 foi substituída por alvenaria e o espaço foi ampliado. Atualmente, a escola passa por reforma, que é a única queixa dos alunos. Contemplado com o projeto Escola 1000, os banheiros serão completamente reformados, o forro das salas trocado e será colocado piso no pátio. As reformas e ampliações, mudanças necessárias a qualquer construção para não sucumbir ao tempo, não apagam da memória da ex-aluna e hoje auxiliar de cozinha Cleusa La Verde Bueno, 58 anos, as lembranças vividas nesse espaço. “Aqui eu aprendi a ler e escrever. Também foi nesta escola que os meus filhos concluíram os estudos”, diz.
Hoje, o colégio também é o endereço de estudo dos netos de dona Cleusa. “Acredito que, no futuro, meus bisnetos também vão estudar aqui, porque a nossa família toda mora em Aricanduva”, afirma. E assim, a ligação com o local só aumenta. “A estrutura da escola mudou bastante, mas é um lugar que sempre me remete à infância e me faz me sentir feliz”, revela.
Para estudar, ela caminhava pouco mais de 1 km por uma estrada de terra até chegar na escola. Na época, dona Cleusa estudou apenas até a 4ª série, mas o gosto pelo estudo continuou e voltou para a sala de aula depois dos 40 anos. “Voltei a estudar com 45 anos. Fiz o Eja aqui mesmo e conclui o ensino médio. Depois, eu cheguei a entrar na faculdade de pedagogia, mas o orçamento não permitiu continuar”, comenta.
Quem estuda hoje na unidade de ensino, também tem um carinho especial. “O melhor da escola é a atenção dos professores com os alunos. Ter uma escola aqui no distrito é importante para mim e também para as outras crianças, que conseguem estudar perto de casa”, diz a estudante do nono ano do ensino fundamental Taís Pedroso de Sousa, de 14 anos.
A também estudante do nono ano do ensino fundamental, Geyse Gouveia Mariano, de 16 anos, acredita que o diferencial da escola está na interação e respeito entre os alunos. “É uma escola muito tranquila. Já estudei em outras que não eram assim. Também não tem brigas entre os alunos”, diz a estudante que mora no assentamento Dorcelina Folador. (VANUZA BORGES)
Valorização da cultura local
A diretora do Colégio Estadual do Campo Doutor Júlio Junqueira, Vanessa Teles Gouveia explica que a instituição, desde seu início, tem por finalidade valorizar as pessoas que vivem no campo e a agricultura, principalmente familiar. “Antes, tinha uma rivalidade entre alunos da cidade e do campo, mas atualmente não tem mais, porque trabalhamos a valorização do indivíduo do campo e suas práticas”, diz.
São 277 alunos matriculados em 15 turmas, divididas nos três turnos. A maioria dos estudantes é do Assentamento Dorcelina Folador e de chácaras na região da Colônia Esperança, além do próprio distrito. Desde o ano passado, alunos que moram na região do Conjunto Alto da Boa Vista e Residencial Piacenza também estudam no local.
Porém, por ser um colégio com 70 anos de história, é comum antigos alunos procurarem a instituição de ensino. “Muitas pessoas entram em contato conosco pedindo o histórico escolar ou algum documento que comprova que estudou aqui. As atas de matrículas ou de aprovação são usadas em pedidos de aposentadoria”, diz a secretária Eliane Diniz.
O arquivo, com documentos de sete décadas, está sob os cuidados da administração do Colégio Estadual do Campo Doutor Júlio Junqueira.