Mais de 1,7 mil imóveis são alvo de uma vistoria que busca identificar a origem do esgoto doméstico descartado irregularmente nas galerias pluviais que deságuam no Lago Jaboti, em Apucarana. Ontem, o assunto foi tratado em reunião no Ministério Público (MP) com representantes da Vigilância Sanitária, Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Companhia de Saneamento do Paraná (Sanepar).
Um levantamento da Sanepar apontou que 1.798 casas localizadas na região do Jaboti não tinham ligação com a rede de esgoto sanitário. Em 2019, um procedimento foi instaurado pelo MP para investigar a situação destes imóveis, contudo a pandemia impossibilitou a continuidade na investigação que necessitava de uma vistoria para atualizar o número de casas em situação irregular.
“São várias situações encontradas, algumas casas têm irregularidades na rede coletora de esgoto, outras na caixa de gordura entre outros problemas. Notificações seriam entregues em 2019, mas por conta da pandemia tudo foi paralisado. Acredito que em 2021 o número seja menor, mas preciso aguardar o levantamento que está sendo realizado para saber o número exato de casas em situação irregular”, disse a promotora Fernanda Lacerda Trevisan Silvério.
LAUDO
Análise feita com amostras coletadas pelo Instituto Água e Terra do Paraná (IAT-PR) comprova que as águas que saem das galerias pluviais do Lago Jaboti estão contaminadas com esgoto doméstico. O resultado foi encaminhado em julho deste ano ao MP. Os técnicos do IAT percorreram as imediações do lago e estabeleceram três pontos de coleta que indicaram a presença de matéria orgânica e de contaminação microbiológica. Entretanto, o relatório aponta que a poluição é diluída nas águas do lago e, de modo geral, os parâmetros microbiológicos e fisioquímicos têm valores aceitos pela resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama). O documento do IAT destaca ainda que cabe a Vigilância Sanitária e a Secretaria Municipal do Meio Ambiente identificar as ligações de esgoto nas galerias pluviais e notificar os proprietários responsáveis a corrigirem as irregularidades.