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Especialista ensina a comprar carne com mais segurança

Vanuza Borges

| Edição de 28 de março de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Diante da polêmica gerada com a Operação Carne Fraca, comandada pela Polícia Federal, que revelou fraudes cometidas por grandes empresas do ramo colocando em risco a saúde dos consumidores, bate uma dúvida: como identificar uma carne boa? O gastrônomo de Apucarana Denílson Fukushima revela algumas dicas, mas antes faz questão de frisar que o problema não atinge todos os frigoríficos. “Não podemos generalizar. A população não deve ficar alarmada porque é um problema pontual com algumas empresas”, afirma.

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Diante do balcão do açougue, o especialista revela dicas simples para escolher uma boa peça na hora da compra. A primeira regra é ficar atento a cor. “Cada corte tem um vermelho diferente, mas a carne tem que estar com um vermelho vivo. Qualquer alteração de cor, indo para um vermelho mais escuro, indica que pode ser uma carne mais velha, ou de um animal mais velho, que também já vai ter uma carne mais dura”, explica.
Outra regra básica é a textura. “No açougue é difícil ter esse contato com a carne, mas, sempre que possível, é importante tocar nem que seja no pacote para ver se a textura está firme e macia. Na bandeja fica ainda mais fácil, é só dar uma apertadinha. Se estiver macia e firme é um indicativo de carne nova. Se estiver desmanchando é sinal que a carne não está boa”, diz.
Dení, como é mais conhecido, observa que a temperatura também é essencial para identificar uma boa carne. “Quando receber a carne das mãos do açougueiro é importante ficar atento à temperatura. A carne tem que estar fria. Não pode estar na temperatura ambiente. Se não estiver fria é porque a geladeira do açougue estava desligada ou desregulada. A temperatura ideal é menor de 10°C”, frisa.
Além disso, ele recomenda sempre pedir para ver a peça ao açougueiro, para se ter uma visão mais clara da carne que será cortada. A regra vale inclusive para a carne moída, que deve sempre ser pedida para moer na hora. “A carne moída estraga muito rápido, por isso, é importante que peça para moer na hora. Quanto menores os pedaços, a chance de estragar é maior, por causa do maior contato com o ar”, esclarece.
E as melhores carnes para serem moídas, segundo ele, são patinho e alcatra. “Essas duas são carnes de primeira e muito boas. Já outra carne muito boa também é o músculo, que é considerada uma carne de segunda e mais em conta”, sublinha.
A professora Vanessa Schneider, 33 anos, segue à risca alguns cuidados na hora de fazer as compras no açougue. “Sempre observo a cor e peço para ver a carne antes de ser cortada. Além disso, gosto sempre de comprar no mesmo lugar porque já conheço o açougueiro”, revela.
Outro consumidor atento é o supervisor de produção José Carlos Andrade, de 53 anos. “Sempre prefiro carne fresca e gosto de pedir para ver a carne antes de cortar”, diz.
Já sobre o frango, a recomendação de Dení é observar a gordura e a quantidade de água. Para evitar problemas, a dica é comprar aves em pedaços.

Procon emite notificação
A Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa do Consumidor de Apucarana (Procon) expediu determinação aos supermercados, mercados e mercearias de Apucarana, Cambira e Novo Itacolomi, para que retirem das gôndolas os produtos fabricados e distribuídos pelos frigoríficos Souza Ramos, Transmeat e Peccin. A determinação segue a decisão da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), que estabeleceu o recolhimento dos produtos, distribuídos aos supermercados, bem como os já vendidos aos consumidores.
Segundo o advogado José Carlos Balan, diretor do Procon de Apucarana, o cumprimento da determinação pelos estabelecimentos comerciais dos três municípios assegura qualidade de vida aos consumidores. "É fundamental que o consumidor esteja sempre atento à qualidade dos produtos alimentícios levados à mesa e, no momento da compra, estar atento ao prazo de validade contido no rótulo", explica.
De acordo com José Carlos Balan, “a realização do recall, procedimento previsto no Código de Defesa do Consumidor, tem caráter preventivo e objetiva evitar que o consumidor tenha a sua vida, saúde ou segurança atingidos”, avalia.