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Espetáculo da andorinhas volta a dividir opiniões

Vanuza Borges

| Edição de 25 de março de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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O clássico balé das andorinhas voltou com mais força neste ano e já começa a chamar atenção e também causar incômodos na área central de Apucarana. Anualmente, as aves voam do Hemisfério Norte em direção ao Sul para fugir do inverno. Na cidade, a presença das andorinhas é notada desde o final do mês passado, o auge deve ocorrer entre abril e maio.

Imagem ilustrativa da imagem  Espetáculo da andorinhas volta a dividir opiniões

“São lindas. Um espetáculo da natureza”, define a empresária Miriam Sasaki, que tem uma relojoaria na Praça Interventor Manoel Ribas, a Praça do Redondo, uma das áreas de maior concentração de aves na cidade. Por outro lado, o vizinho de comércio, Edgar Soares de Macedo, quer ver as aves longe. “É insuportável o cheiro”, reclama.

Miriam defende que as aves não causam grandes incômodos, apenas o mau cheiro em dias de chuva. “Para retirá-las daqui teria que cortar as árvores da praça, mas é inviável. Se isso acontecer, vai ficar sem vida”, avalia. Diferente da opinião da empresária, Macedo rebate que é um “mal necessário”. “Todo ano elas voltam. É a natureza, mas não vale a pena mantê-las pelo espetáculo”, diz.

Ele, que além de trabalhar, frequenta o local há 30 anos, lembra que é feita a lavagem da praça, mas que não resolve o problema do mau cheiro. O atendente de lanchonete Josias Silva trabalha há oito meses ao lado da Praça do Redondo e garante que o espetáculo no fim de tarde vale a pena. “São poucos os que apreciam, mas são bonitas de ver”, diz.

O secretário de Meio Ambiente Ewerton Pires explica que o mau cheiro é decorrente do piso, que absorve as fezes. “Nós lavamos a praça duas vezes por semana nesta época. No auge da migração, que acontece em abril e maio, lavamos a praça todos os dias”, afirma. A troca do pavimento neste momento, segundo ele, é inviável financeiramente.

Pires revela ainda que a Prefeitura não tem interesse que as andorinhas deixem de passar pela cidade. “As soluções são paliativas. Quando for inaugurada a pista de caminhada do Lago Jaboti, talvez desloquem para lá, porque será iluminada”, comenta. A iluminação afasta possíveis predadores. “E as andorinhas gostam deste ambiente”, observa.

Pires ressalta que as andorinhas não transmitem doenças nem se alimentam do mosquito Aedes aegypti. “Os pombos sim transmitem doenças e exigem controle. Recentemente fizemos podas nas árvores, para reduzir a massa verde, e aumentamos a iluminação”, assinala.