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Estiagem gera perdas de quase 100 mil toneladas na região

Renan Vallim

| Edição de 27 de julho de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O tempo seco que persiste sobre o Paraná já reduziu a safra de grãos em pelo menos 14% este ano, comparado com o mesmo período do ano passado. São quase seis milhões de toneladas a menos que estão deixando de ser colhidas, principalmente milho da segunda safra e trigo. Na região, a estiagem, que já dura pelo menos 44 dias, afetou 80% da lavoura de inverno, com perdas estimadas em até 35% ou quase 100 mil toneladas.

De acordo com Adriano Nunomura, técnico do Departamento de Economia Rural (Deral) de Apucarana, a situação é crítica. “As lavouras de inverno plantadas mais cedo e dentro do período recomendado encontram-se em melhores condições, mas representam apenas cerca de 20% do total cultivado. A maior parte, 80%, foi plantada com atraso, devido à falta de umidade, e sofreu mais com a estiagem na fase inicial de desenvolvimento vegetativo”, diz.
O milho é uma das culturas que deverá sofrer maiores perdas. No início do plantio, a estimativa era de uma colheita em torno de 170 mil toneladas na área de abrangência do escritório regional de Apucarana da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab). Hoje, esta previsão já baixou para 111 mil toneladas, uma queda de 35%.

Imagem ilustrativa da imagem Estiagem gera perdas de quase 100 mil toneladas na região


“A colheita do milho segue em ritmo lento. Estima-se que em torno de 10% das áreas foram colhidas até o momento. Estas lavouras foram as que sofreram menos os efeitos da estiagem e estima-se que o rendimento e a qualidade dos grãos devem diminuir conforme for evoluindo a colheita”, aponta Nunomura.
São 30,5 mil hectares plantados de milho na região, com 20% na fase de frutificação e 80% em maturação. Do total, 50% foi avaliado pelo Deral como de qualidade ruim. O restante é de qualidade média.
Trigo, o principal cultivo de inverno da região, também passa por problemas. Dos 69 mil hectares plantados, 30% tem condição ruim e 70%, média. A estimativa inicial de colheita, que girava em torno de 203 mil toneladas, hoje caiu 17%, chegando a 169 mil toneladas. “Esse índice de perda do potencial produtivo aumenta a cada dia, conforme se prolonga a ausência de chuvas”, destaca o técnico do Deral.
“Não apenas as condições climáticas adversas, mas também a alta incidência de pragas e doenças estão reduzindo o potencial produtivo desta safra”, aponta ele.
Nos 15 mil hectares plantados com aveia branca na região, a expectativa de produção já baixou 8%, passando de 38 mil para 35 mil toneladas. Como o trigo, este índice vem caindo dia após dia, com 30% categorizado como de qualidade ruim e o restante, média.
Devido as condições climáticas, as lavouras de hortaliças estão sendo irrigadas mais vezes, inclusive alguns produtores estão realizando a irrigação no período noturno. Com o aumento da quantidade de irrigação, há o aumento dos custos de produção para o produtor. Situação parecida vive a pecuária. Sem pasto de qualidade, produtores têm utilizado ração para alimentar o gado, o que encarece os custos.

Período sem chuvas derruba safra de todo o Paraná
O milho da segunda safra, ainda em campo, é o que apresenta mais problemas em decorrência do período de estiagem que afeta o Paraná há cerca de 40 dias. A cultura já havia sofrido também com a falta de chuva entre os meses de abril e maio, que prejudicou o período de floração e frutificação.
O levantamento de plantio e colheita do Deral, que faz o acompanhamento das lavouras em todo o Estado, aponta que pelo menos 74% da safra não está em boas condições de desenvolvimento. 
Com isto, está se consolidando uma redução de 30% do milho da segunda safra, em comparação com igual período do ano passado. Em 2017 foram colhidas 13,3 milhões de toneladas e este ano serão colhidos 9,3 milhões de toneladas, 4 milhões a menos, devido a redução de 13% na área plantada e queda na produtividade das lavouras.
O feijão de segunda safra foi outro produto que sofreu com os rigores da estiagem. A cultura já está toda colhida e o levantamento aponta a redução de 30% na safra. Segundo o Deral, havia uma estimativa de colheita de 377.400 toneladas, mas foram colhidos 264.015 toneladas, correspondendo a cerca de 110 mil toneladas de feijão perdidas. 
O comportamento das lavouras de trigo, ainda em campo, também indica queda na produção. Cerca de 40% das lavouras não estão em boas condições, levando a perdas estimadas em 9%, ou 300 mil toneladas