Os produtores de grão da região de Ivaiporã estão preocupados com a evolução das lavouras de verão, em razão da falta de chuvas no mês de novembro. Até agora, choveu apenas 37 milímetros, o clima tem permanecido seco, com temperaturas elevadas em média 30 graus, e mínima em torno de 20%. A média de precipitações para o mês de novembro nos últimos dez anos foi de 240 mm. Em algumas regiões não chove há mais de 30 dias e conforme previsões climáticas, a tendência é que as chuvas não retornem até o final do mês.
De acordo com o produtor de soja e agrônomo Nairo Gomes de Brito Filho, a estiagem acontece em um momento importante para o desenvolvimento dos grãos. “A soja que já se encontra em período de florescimento, plantada no final de setembro, é a que mais sente a falta de chuva”, explica Nairo Filho.
Também é preocupante, a situação das lavouras de soja semeadas nos últimos dias, pois havia previsão de chuvas na região e isso não ocorreu. “Se não chover nos próximos cinco dias, a semente pode não germinar e haver necessidade de replantio”.
Com replantio, os custos de produção podem aumentar em até 30%, com o diesel, dessecação da área e compra de novas sementes. “O nosso lucro está em cima da produtividade. Nos resta torcer para que as chuvas venham o mais rápido, senão nós produtores teremos sérios problemas”, comenta Nairo Filho. Ele plantou 450 alqueires de soja, em Rosário do Ivaí, Tamarana e Ortigueira.
Conforme o agrônomo Randolfo de Oliveira, do escritório regional de Ivaiporã do Deral, no momento, as plantações de feijão são as estão mais comprometidas pela falta de chuvas, e pode piorar caso a seca continue. “A maioria das lavouras de feijão aqui na nossa região está em fase de floração passando para a fase frutificação, justamente no período mais dependente de água. Se não chover até o final do mês, pode acontecer aborto floral e formação de vagens será muito prejudicada, com a produção caindo pela metade”, explica Oliveira.
ÁREA
Segundo informações do Deral, na regional de Ivaiporã, a soja tem área plantada de 295.7 mil hectares, 95% se encontra em fase de desenvolvimento e 5% em fase de floração. O feijão tem área plantada de 11.3 mil ha. 90% da cultura na região está em fase de floração com frutificação e 10% em fase de maturação. O milho majoritariamente se encontra em fase de desenvolvimento, a área do milharal é 14.9 mil ha.
Se clima não atrapalhar, Paraná terá safra recorde
A Secretaria estadual da Agricultura e Abastecimento estima mais uma safra recorde de 23 milhões de toneladas de grãos no Paraná, 14% maior do que a safra passada. A expectativa dos produtores paranaenses com as condições climáticas é grande nesta fase da safra de verão 2016/2017 que já está quase totalmente plantada. As três principais culturas, soja, milho e feijão apresentam bom desenvolvimento no campo, mas pontos localizados em algumas regiões já sentem a falta da chuva.
A configuração do fenômeno La Niña com mais intensidade já é sentida em algumas regiões do Estado, em especial no Norte e Centro, onde o volume de chuvas tem sido menor. “Ainda é cedo para prognósticos menos otimistas. Contudo, os produtores precisam estar atentos às condições do clima dessa fase em diante até a colheita da safra de verão que já está iniciando com o feijão da primeira safra”, destaca o secretário da Agricultura Norberto Ortigara.