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Ex-fumantes têm atendimento odontológico

Da Redação

| Edição de 19 de junho de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Um trabalho desenvolvido pela dentista Cinara Lemos Freire Vendrametto, da UBS Leopoldo Hartwig Júnior, da Vila Nova, tem contribuído para melhorar a qualidade de vida de pessoas que deixaram o vício do tabagismo através da reabilitação oral comprometida pelos efeitos nocivos da nicotina. O atendimento inicial está concentrado nos abrigados da Casa de Misericórdia, complementando as ações do médico Osvaldo Zardo, da UBS Pedro Barreto, do Distrito da Vila Reis, que atua no combate ao tabagismo.

Imagem ilustrativa da imagem Ex-fumantes têm atendimento odontológico

A preocupação da dentista está relacionada a saúde bucal do paciente que deixou de fumar e dos que estão em tratamento com objetivo de deixar o vício. De acordo com Cinara Vendrametto, a saúde bucal dos fumantes é muito mais frágil do que a dos não-fumantes, uma vez que a região fica mais suscetível a agressões e qualquer outro tipo de doença.

“A nicotina impregna na estrutura bucal e somente uma higienização correta reduz os efeitos, aliado a outros métodos de tratamento para remoção da placa bacteriana formada ao longo do tempo”, comenta.

No atendimento aos abrigados da Casa de Misericórdia, a dentista tem realizado palestras e entregando escovas, creme dental e fio dental, informando aos pacientes como realizar a higienização bucal de forma correta. Ela acrescenta ter verificado algumas situações onde apenas a higienização não traz resultado positivo. “Há casos onde é necessária a extração dos dentes e a substituição por uma prótese dentária”, diz a dentista.

A dentista alerta que somente o trabalho profissional não é suficiente para a melhoria da qualidade de vida do paciente. “É fundamental que ele tenha consciência da importância de deixar de fumar para a própria saúde. A recaída compromete o tratamento e as conseqüências serão graves”, assegura ela.

A dentista salienta que de acordo com o Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), o consumo de tabaco causa aproximadamente 50 doenças diferentes e um fumante adoece em média duas a três vezes mais que um não-fumante.

“Na boca, o cigarro agride as células da mucosa e ainda diminui sua capacidade de cicatrização e de defesa, deixando-a mais sujeita à ação de agentes agressores como bactérias, vírus e fungos, além de conter substâncias carcinogênicas que aumentam a probabilidade do desenvolvimento de câncer bucal”, complementa.

UBS adotam ações de combate ao tabagismo

Médicos que atuam nas unidades de saúde da Vila Apucaraninha, Vila Reis, Jardim das Flores, Jaboti e Vila Nova têm realizado um intenso trabalho de combate ao tabagismo em Apucarana. As estratégias utilizadas pelos profissionais para combater o consumo de cigarros passam pela intervenção psicossocial e tratamento medicamentoso. Alguns dos medicamentos prescritos pelos médicos são fornecidos pelo Ministério da Saúde, sem qualquer custo ao paciente.

Seguindo as orientações do Ministério da Saúde, através do Instituto Nacional do Câncer (Inca), os médicos e outros profissionais de odontologia lotados na Autarquia Municipal de Saúde de Apucarana ministram palestras informando sobre as consequências do consumo excessivo de cigarro. Nas denominadas intervenções psicossociais, são distribuídos pequenos manuais informativos – Deixando de Fumar Sem Mistérios – com os passos para deixar de fumar. Aos que aderirem à proposta, há, ainda, o tratamento medicamentoso, que visa o controle dos sintomas de abstinência provocados pela suspensão do uso da nicotina.

Acompanhamento médico

Os números impressionam: conforme dados do Instituto Nacional do Câncer José Alencar Gomes da Silva, estima-se que, a cada ano, 200 mil brasileiros morram precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo e de cada 100 pacientes que desenvolvem o câncer, 30 são fumantes. Mas, na visão de especialistas, muitas das mortes poderiam ser evitadas se tomados cuidados aos primeiros sintomas – tosse tabágica, falta de ar, dores nas pernas, entre outros. E o remédio recomendado é deixar de fumar, realizando o acompanhamento médico para a completa recuperação.

O médico Luiz Antônio Vilela, da UBS Valdecir de Paula, do Jardim das Flores, um dos integrantes do grupo de profissionais que atua no combate ao tabagismo em Apucarana, afirma que “o tabagismo é a principal causa de morte evitável no mundo e em média o cigarro tira 10 anos de vida do usuário”. Ele lembra que o tabagismo é fator de risco para a maioria dos cânceres, desde a boca até os sistemas respiratórios, urinários e digestivos, alcançando o coração, com risco de enfarto, bem como dificuldade de caminhar.

No caso específico do câncer originado no tabagismo, o melhor tratamento é deixar de fumar e progressivamente sentindo os resultados, começando pelo olfato e paladar. “É uma melhora a curto, médio e longo prazo, quando o paciente vai sentindo uma melhora na capacidade aeróbica, pois respira melhor, aumentando, inclusive, o rendimento para quem é praticante de esporte”, complementa o médico.