Sete anos após ficar internado por 60 dias na UTI para o tratamento da síndrome Guillain-Barré (SGB), o músico Lourival Guice retornou na última semana ao Hospital da Providência, de Apucarana, para rever os profissionais que o atenderam e compartilhar sua história de recuperação. “Eu não morri porque Deus pôs as mãos e também porque os médicos, enfermeiros e toda equipe foram muito atenciosos”, comentou.
Guice estava no trabalho quando começou a se sentir mal. Ele conta que as solas dos pés dele começaram a formigar e o mesmo sintoma logo avançou para as pernas e braços. O músico foi socorrido e encaminhado ao Hospital da Providência, onde foi diagnosticado com SGB.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que a incidência da síndrome no mundo seja de 0,4 a 4 casos por 100 mil habitantes por ano. “Trata-se de uma doença autoimune, que não se manifesta por um motivo específico, pode estar associada a uma infecção, vírus ou pode incidir sem motivo aparente” explica o médico intensivista do hospital, Mateus Dias de Moura.
A doença ataca os nervos periféricos e os músculos, gerando uma paralisia ascendente. “O paciente perde gradualmente a força das pernas e mãos e, como afeta os músculos do pulmão, ele fica com dificuldade em respirar, assim, o paciente necessita ser entubado em um primeiro momento e, em seguida, é realizada uma cirurgia de traqueostomia, ou seja, a colocação um cânula (tubo) na traqueia, abaixo da corda vocal, onde são conectados aparelhos de respiração artificial”, explica o médico.
Durante a visita, Lourival relembrou de quando passou pela traqueostomia. “Naquele período em que estava na UTI, pensava: eu sou cantor e músico, a traqueostomia pode atrapalhar meu sistema vocal. Fiquei preocupado, porque é uma coisa que eu faço por paixão, fui profissional por 40 anos”, explica.
Ele precisa usar uma cadeira de rodas para se locomover pelas ruas, mas conta que consegue andar em casa. “Vivo sozinho e faço tudo em casa: limpo, lavo roupa, preparo minhas refeições. Eu fiquei com sequelas nas pernas, nos braços e mãos, mas sou tecladista e continuo tocando graças ao meu esforço”, diz o músico, que gravou um CD recentemente.(EDITORIA DE CIDADES)