A exigência de uma declaração vacinal para a matrícula nas redes pública e privada de ensino a partir do próximo ano gerou uma verdadeira ‘corrida’ aos postos de saúde. Em Apucarana, a procura mais que dobrou nas 22 Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que têm salas de vacinação. O aumento foi tão abrupto que consumiu todo o estoque de algumas doses.
A declaração passou a ser exigida após uma lei estadual entrar em vigor, em outubro deste ano. O documento atesta que a criança ou adolescente está com as doses de imunização em dia e deve ser entregue no ato da matrícula em todas as escolas da rede pública ou particular que ofereçam educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. A medida é exigida para alunos de até 18 anos.
De acordo com o setor de Epidemiologia da Autarquia Municipal de Saúde (AMS) de Apucarana, a busca por vacinas mais que dobrou nas UBSs da cidade. O coordenador do setor, Luciano Pereira da Silva, diz que a procura maior é pelas vacinas meningicócica C e contra o HPV.
“Como a procura pela ‘meningo C’ era muito baixa antes, ela sofreu um impacto maior com o aumento da demanda. Por isso, a maioria das UBSs acabou ficando sem estoque. Mesmo assim, a declaração não deixou de ser dada, para não prejudicar as crianças. Novas doses já foram pedidas para a 16ª Regional de Saúde e devem chegar amanhã [hoje]. Crianças que ficaram sem a imunização terão que retornar para receber a dose”, diz ele.
Todas as UBSs de Apucarana estão aptas a emitir a declaração, mesmo aquelas que não têm a sala de vacinação. Nestes casos, é só o responsável pelo aluno apresentar a carteira de vacinação em dia.
Ontem, a aposentada Maria Aparecida Miquelin foi buscar a declaração da neta, Giovana, de 12 anos, que passará para o 8º ano em 2019. “Acho uma ótima medida exigir a vacinação em dia para as crianças. Alguns pais acabam não levando seus filhos para tomar as vacinas devidas e isso acaba atrapalhando o desenvolvimento das crianças, colocando em risco a todos na escola”, diz.
Maria Rosa da Silva também esteve em uma UBS de Apucarana ontem, recebendo a declaração do neto, Endrick, de 6 anos e que irá para o 2º ano. Ela observou de perto o aumento na demanda por vacinas, pois é agente de saúde do município. “A imunização de todos é muito importante. Por falta de vacinas, estamos vendo algumas doenças que já estavam erradicadas retornando. Com as doses certas sendo aplicadas, todos ficam imunes e evitam a propagação de doenças”, ressalta.
CONSELHO TUTELAR
A não apresentação do documento exigido ou a constatação da falta de alguma das vacinas consideradas obrigatórias não impossibilitará a matrícula do aluno. Porém, a situação deverá ser regularizada em um prazo máximo de 30 dias. Caso contrário, o Conselho Tutelar deverá ser acionado. Somente será dispensado da vacinação obrigatória o matriculando que apresentar atestado médico de contraindicação explícita da aplicação da vacina.