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ExposedApucarana: denunciantes são ouvidas

Da Redação

| Edição de 18 de junho de 2020 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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O processo das denúncias provocadas pela campanha da hastag #ExposedApucarana caminha para a etapa final segundo a delegada Sandra Nepomuceno, titular da Delegacia da Mulher de Apucarana. Segundo ela, o inquérito pode ser concluído nas próximas semanas semana a partir do depoimento de sete vítimas denunciantes ouvidas, além de representantes de escolas, que também foram citadas nas publicações. 
A delegada ressalta que ainda deve ouvir mais denúncias e envolvidos até a conclusão do inquérito. “Acreditamos que até o final do inquérito ainda possam surgir novas denúncias”, comenta a delegada.
A polícia acompanhou os relatos de assédio e importunação sexual pelas publicações feitas no Twitter usando a hastag que identificou Apucarana nas postagens a partir do dia 28 de maio. Nos posts, vários casos foram relatados, muitos envolvendo assédio e importunação em ambiente escolar tendo como alvo professores do ensino médio.
O caso segue em sigilo, de modo que o teor dos depoimentos e suspeitos não são identificados pela polícia.
Contudo, a Tribuna conversou com duas mulheres, uma de 21 anos e outra de 24, que denunciaram os casos. Elas não quiseram se identificar, mas contaram alguns detalhes do que foram registrados nos Boletins de Ocorrência (B.O).
Conversamos primeiro com a mulher de 24 anos, ela conta que o assédio aconteceu em 2016, quando ainda estava no ensino médio. “Eu sempre pegava carona da escola para casa com esse professor porque ele era meu vizinho e minha família confiava nele. Ele começou a mandar mensagens de amizade e um dia me convidou para dar uma volta à tarde. Eu fui e ele me levou para o motel. Fiquei desesperada e me tranquei no banheiro”, relata.
A apucaranense diz que nunca contou a história para ninguém e só resolveu se abrir com uma amiga, depois de ver que ela havia postado no Twitter, junto com outros depoimentos do movimento Exposed. “Guardei isso comigo durante anos porque sentia nojo e vergonha, mas quando essa amiga da escola deixa o depoimento, achei que seria a hora de me libertar desse peso. Nem em terapias com psicólogos consegui contar”, acrescenta.
A outra mulher, de 21 anos, relatou durante entrevista que o mesmo professor fez uma brincadeira em relação aos seus seios durante uma aula em 2015. “Eu fiquei com muita vergonha e me senti humilhada na hora. Poucas pessoas ouviram, mas foi o suficiente para que eu ficasse com esse trauma”, lembra.
Diferente da mulher de 24 anos, a jovem de 21, chegou a fazer um post no Twitter contando o que aconteceu e também espera por justiça. “Eu espero que ele pague por tudo que ele fez essas meninas e mulheres passar. Ninguém merece passar por isso”, ressalta.