Empresas da construção civil apontam a carência de mão de obra qualificada em Apucarana e Arapongas. Só na Agência do Trabalhador de Apucarana são 77 vagas ofertadas para pedreiro, servente, mestre de obras, contramestre, carpinteiro e armador. Segundo as construtoras, o setor enfrenta dois grandes entraves relacionados a alta demanda de obras e a dificuldade de repor postos de trabalho deixados por profissionais aposentados. Com a falta de profissionais, muitas construtoras estão trazendo mão de obra de fora para garantir o andamento de projetos.
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas (Sticma), Carlos Roberto da Cunha, afirma que as construtoras têm recorrido a contratação de profissionais de outros estados para suprir o déficit de mão de obra especializada na área de atuação do sindicato, que abrange também Apucarana, Califórnia, Rolândia, Sabáudia e Pitangueiras. Como exemplo ele cita a construção das JBS de Rolândia com trabalhadores de Maranhão, Ceará. A obra do Centro de Detenção Provisória de Arapongas também conta com profissionais de Minas Gerais e do Pará.
Segundo Cunha, parte do fenômeno é causado pela aposentadoria de trabalhadores da construção civil mais antigos e não está ocorrendo a reposição destes postos de trabalho deixados por eles. “Conforme os trabalhadores mais velhos vão se aposentando essa mão de obra não está sendo reposta pelos novatos. Muitas vezes o filho não quer fazer a mesma coisa que o pai. Mesmo com um salário melhor do que de outras áreas”, observa.
Na opinião do presidente do sindicato, existe um certo preconceito com esta profissão, pois, muitos jovens consideram um trabalho sujo e degradante, optando por serviços mais leves, mesmo que o retorno financeiro seja menor. De acordo com ele o piso salarial de um servente de pedreiro passa de R$ 2 mil, já o pedreiro tem piso de R$ 2,7 mil.
Dono de construtora de Apucarana, Agnaldo Anacleto de Paula, compartilha da mesma opinião. “Muitos jovens consideram a construção civil um serviço pesado e sujo, preferindo trabalhar no escritório ganhando um salário mínimo”, comenta.
Anacleto acredita que há necessidade de incentivo por parte do poder público, com cursos voltados a esse ramo de atuação, oferecendo oportunidades de ensinar a profissão aos jovens a partir dos 15 anos. “Acredito que falta o Estado dar mais cursos profissionalizantes gratuitos para adolescentes, para que eles comecem a se interessar pela profissão desde cedo”, afirma.