O corte de gastos anunciado pelo Banco do Brasil (BB), que vai fechar 402 agências e restringir atendimento de outras 379, atinge 26 unidades no Paraná, sendo uma delas em Rio Branco do Ivaí, única agência bancária do município. A medida também prevê plano de incentivo à aposentadoria e redução de jornada de trabalho para parte dos funcionários. O Banco do Brasil possui 109.159 funcionários e 18 mil fazem parte do público potencial para adesão voluntária ao Plano Extraordinário de Aposentadoria Incentivada. Por outro lado, BB promete reforçar atendimento online.
Rio Branco do Ivaí, que tem uma população de 3. 897 pessoas, conta atualmente, além da agência do Banco do Brasil, com um posto de atendimento bancário. Na avaliação do diretor do sindicato, Antônio Pereira da Silva, o fechamento compromete o atendimento aos clientes da unidade. Ao invés de agência, com a mudança, no espaço passará a funcionar em um Posto de Serviço. “A dotação da agência, de Rio Branco do Ivaí, era de seis funcionários. Depois do último assalto, a unidade ficou apenas com três. Ao mudar para Posto de Serviço passará a funcionar de um funcionário”, observa.
A agência foi assaltada em fevereiro deste ano. Na ocasião, a quadrilha fez diversos reféns. Silva observa que, nos últimos anos, o número bancos privados também têm fechado as portas nos pequenos municípios. “Fecharam nos últimos anos uma agência do banco Itaú e uma do Banco Santander em Apucarana. Uma agência do Santander também encerrou as atividades em Arapongas”, comenta.
Nos municípios menores, por exemplo, os cortes também aconteceram. “O Banco do Brasil fechou um Posto de Serviço em Cambira e outro em Bom Sucesso. Nós estamos percebendo que o Banco do Brasil está caminhando para a privatização, apesar de não haver razões para isso, uma vez que vem registrando lucros”, assinala.
O diretor do sindicato analisa que o Banco do Brasil presta um serviço social importante, que não deve ser interrompido, como linhas de crédito para pequenos agricultores e habitação com juros menores. “Porém, estamos percebendo que o Banco do Brasil tem voltado sua atenção para a disputa de mercado, redução do quadro de funcionários, quando percebemos que deveria ocorrer novas contratações para melhorar o atendimento nas unidades, e não o contrário”, diz.
Silva adianta que a confederação nacional da categoria vai pedir uma explicação mais detalhada ao Banco do Brasil e vai acompanhar de perto o plano anunciado. “Com essa política de atendimento, os pequenos clientes não poderão ir mais às agências. O atendimento será voltado somente aos grandes clientes. E mais, esse fechamento ocorre justamente quando o País precisa voltar a crescer e necessita de linhas de crédito?”, questiona.
Segundo o banco, será preservada a presença do BB nos municípios em que já atua. Serão fechadas 31 superintendências regionais e 402 agências. Outras 379 agências serão transformadas em postos de atendimento bancário. As mudanças deverão ser efetivadas até o primeiro trimestre de 2017.