Duas vezes por semana, o agricultor de Cambira, Noraldino Donizete Nicolin, 58, se levanta às 3 horas da madrugada e segue na companhia da esposa Aparecida Inês, com quem é casado há 35 anos, para mais um dia de trabalho. O casal é um dos primeiros agricultores a integrar da Feira Produtor, realizada às quartas e aos sábados, das 6 ao meio-dia, nas dependências comerciais do Terminal Urbano de Apucarana. O espaço, onde se comercializa de tudo um pouco, está completando 40 anos de atividade na cidade.
Noraldino tem a versão original da sua carteira de feirante, emitida em 1978 pela Prefeitura de Apucarana. De uma família de produtores rurais, ele trabalha com feiras desde a infância, vendendo legumes, frutas e verduras. “Minha história com feiras começou quando eu tinha 8 anos. Minha família é formada por vários produtores rurais, inclusive meu pai. Graças às feiras e ao nosso trabalho, eu e minha esposa conseguimos pagar os estudos de nossa filha, que hoje trabalha como professora no Núcleo João Paulo, em Apucarana”, conta orgulhoso o produtor rural.
Outro casal de agricultores que também trabalha na Feira do produtor desde o início é Cláudio Gerelus, 70, e Alaíde Gerelus, 73, de Apucarana. Na banca de Cláudio e Alaíde se vende legumes, verduras, além de plantas suculentas e cactos, compotas e geleias naturais.
“A rotina é puxada a rotina e, por causa da idade, tivemos que diminuir um pouco as atividades. Participávamos também da feira livre de domingo, mas paramos há alguns anos já que nossos filhos estão formados e a vida ficou mais tranquila”, conta.
Para Alaíde, a época de geada é a que mais preocupa os agricultores. “A gente enfrenta sol e frio, mas a época de geada é a que mais nos deixa nervosos. No entanto, somos uma classe unida e sempre deu tudo certo. Recentemente, morreu uma feirante e todo mundo ficou comovido, fazemos amizades por aqui”, ressalta.
O presidente da associação da Feira do Produtor de Apucarana, Zacarias Baganha, também trabalha na feira há 35 anos junto da esposa Leonice da Silva, e recorda que a comercialização de produção começou a ser realizada em 1978, no Ginásio de Esportes Lagoão.
Depois, as vendas passaram para um terreno perto da Praça Interventor Manoel Ribas e em seguida, foram para o Terminal Urbano, na Rua Gastão Vidigal, sempre às quartas-feiras e aos sábados.
Toda semana, Baganha acredita que passam mais de 10 mil pessoas pela Feira do Produtor. “A feira é o sustento de diversas famílias, não temos outra renda além daqui”, conta o presidente, que comercializa alface, mandioca, e outras verduras e legumes plantados no sítio em Apucarana.
A Feira do Produtor conta com 80 pontos de vendas, ou seja, bancas, onde são vendidos legumes, verduras, embutidos, produtos naturais, café, e outros alimentos, além de flores, temperos e outros itens, produzidos por agricultores de Apucarana e região.
Ele destaca que atualmente todos os produtos de origem animal comercializados na feira - como embutidos, carnes e laticínios - contam com Selo de Inspeção Municipal (SIM), emitido pela prefeitura. “As pessoas querem produtos frescos de qualidade e de confiança. Agora temos o selo “SIM”, que garante ao comprador qualidade e fiscalização da Vigilância Sanitária”, explica Zacarias.