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Fim dos bloqueios

Renan Vallim

| Edição de 31 de maio de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Após 10 dias, a greve dos caminhoneiros foi encerrada nas primeiras horas da manhã de ontem, após ação da Polícia Militar, Polícia Rodoviária Federal e forças do Exército Brasileiro nos pontos de bloqueio no Paraná. O impacto mais evidente do fim das manifestações na região foi a formação de longas filas de veículos nos postos de combustíveis, fruto de um desabastecimento que já durava uma semana. Dezenas de carros esperavam até em postos que não haviam recebido gasolina ainda, na esperança de o carregamento chegar em breve.

Imagem ilustrativa da imagem Fim dos bloqueios

A operação de desobstrução das rodovias foi iniciada logo nas primeiras horas da manhã de ontem por determinação do governo do estado. Veículos blindados foram vistos nas ruas pouco depois das 7 horas, indo em direção aos bloqueios.
Do 30º Batalhão de Infantaria Mecanizado (BIMec) de Apucarana, saíram 250 homens, que se dividiram rumo a Mauá da Serra, Maringá, Paranavaí e Londrina, para liberar as rodovias BR-369 e BR-376. Na região, além da liberação das estradas, houve patrulhamento, escolta e vistoria de caminhões.

CAMINHONEIROS
André Pereira, caminhoneiro  de Apucarana e um dos coordenadores do movimento na região, disse que a liberação aconteceu de forma rápida e pacífica, mas lamentou o uso das Forças Armadas. “Ficamos decepcionados. Nos taxaram como bandidos. Foi humilhante a mobilização de todo este contingente, com arsenal de guerra, contra pais de família”, disse.
Segundo ele, não há chances de retomada dos bloqueios. “O que podia ter sido feito, foi feito. Não tem mais como realizarmos novamente os protestos. A maioria dos caminhoneiros já está rodando de novo”, afirmou.
Até as 19 horas de ontem, restavam ainda 39 bloqueios nas rodovias paranaenses, todos em estradas federais, segundo informou a PRF no início da noite. Já a Defesa Civil do Paraná afirmou ontem que o estado não mantinha mais bloqueios, apenas 12 pontos de concentração de caminhoneiros. Na região, foram registrados ao longo da greve 11 bloqueios, todos dispersados.
No início da noite de ontem, entretanto, manifestantes ensaiaram fechar a Avenida Curitiba, no centro de Apucarana. Dezenas de policiais militares foram acionados e houve um princípio de confusão. Após a PM liberar a avenida para o trânsito dos veículos, os manifestantes se dispersaram.

COMBUSTÍVEIS
Dos 24 postos de combustíveis de Apucarana, seis haviam recebido o produto até o início da noite de ontem. Destes, cinco já estavam realizando o abastecimento de veículos e um estava recebendo a gasolina, planejando iniciar a comercialização na sequência. Filas com dezenas de veículos começaram a se formar desde a manhã de ontem. 
Ontem não havia expectativa a respeito da normalização do abastecimento. “Nos disseram que o combustível seria entregue no nosso posto ainda hoje [ontem], mas acreditamos que só amanhã [hoje] é que a carreta irá chegar”, afirma Wellington Kreb, proprietário de um posto de combustíveis em Apucarana.
Segundo ele, a grande demanda represada se refletiu no atraso do recebimento da carga. “São muitos os caminhões esperando para abastecer os tanques na distribuidora. Isso acaba gerando esse atraso, mas logo o combustível irá chegar”, conta.
Onde havia gasolina, o litro estava sendo vendido entre R$ 4,49 e R$ 4,69, preços bem próximos dos praticados antes da greve. Em Arapongas, por conta da grande procura, alguns postos que receberam combustíveis ficaram sem o produto poucas horas depois.
A busca por combustível ontem foi tão intensa que os motoristas fizeram fila mesmo nos postos que ainda não haviam recebido o carregamento. “Nós estamos esperando a carreta para daqui duas ou três horas. Mas, desde que a notícia de que os protestos haviam acabado se espalhou, a fila já começou a se formar”, disse a funcionária de um posto de Arapongas que não quis se identificar.

Ivaiporã não recebeu combustível
Os postos de combustíveis continuavam desabastecidos no final da tarde em Ivaiporã. O Posto Panorama era o único estabelecimento que atendia a população, somente com gasolina e diesel S 500, porém com limite máximo de R$ 50 por veículo. A fila nas imediações do posto por volta das 17 horas atingia quatro quarteirões.
O estabelecimento havia recebido o carregamento anteontem (29), através de liminar junto à Justiça, liberando o caminhão-tanque que estava bloqueado em Guarapuava. Porém, o combustível era para atender veículos oficiais, como ambulâncias, bombeiros, polícia e serviços essenciais da prefeitura e do estado.
Na tarde de ontem, com o fim da greve, o Ministério Público autorizou o estabelecimento a disponibilizar o produto também para a população. “São 5 mil litros que foram liberados. Provavelmente até a noite, deve chegar um outro caminhão e a partir daí não haverá mais cota”, disse o proprietário do estabelecimento, Leonidas Elmar Schon. 
(IVAN MALDONADO)

Tumulto marcou desobstrução em Jardim Alegre 
Um tumulto marcou a desobstrução da PR-466 em Jardim Alegre. Manifestantes bloquearam a estrada por cerca de 30 minutos. Centenas de pessoas deitaram na rodovia para impedir a passagem de veículos.
O tumulto foi provocado depois que a Polícia Militar, que estava no local desde as 7 horas, passou a impedir a entrada de caminhões no Posto Brasília, local de protesto dos caminhoneiros. Depois de negociação, os próprios caminhoneiros convenceram os manifestantes a liberarem a pista.
Apesar da confusão, o comandante em exercício da 6ª CIPM, Élio Boing, diz que a operação realizada no Vale do Ivaí foi encerrada com êxito. 
“Nos demais bloqueios, em Lidianópolis, São João do Ivaí, Borrazópolis, Cruzmaltina e Faxinal, foi bem tranquilo. Aqui em Jardim Alegre, em especial, determinados acordos que tínhamos feitos no início da manhã não foram cumpridos e tivemos de conversar de forma mais ríspida. Tivemos esse estresse do pessoal deitando na pista, mas seguramos para não utilizar a força, trabalhando para a resolução dessa crise”.
Muitos motoristas que estavam no local desde o início do bloqueio em Jardim Alegre se mostravam decepcionados com o encerramento da greve. É o caso do motorista Eder Frizon. “A gente queria não só o desconto do óleo diesel, mas também na gasolina, no gás de cozinha e que o Temer renunciasse. Tivemos bastante apoio aqui da região, dos agricultores e outras categorias. O pessoal daqui de Jardim Alegre nos ajudou bastante com a alimentação, mas faltou apoio das outras cidades do Brasil. A decepção é muito grande”, disse. (IVAN MALDONADO)

Remessa de botijões deve chegar hoje
Outro produto que estava em falta na região era o gás de cozinha. Em Apucarana, apenas duas revendedoras receberam o produto ontem. Mesmo assim, não foi suficiente para atender a demanda. “Como o número de botijões que recebemos foi muito pequeno, apenas 15 unidades, os itens acabaram em poucos minutos. Amanhã [hoje], devemos receber mais botijões”, afirma Liliana Souza, proprietária de uma revenda.
Ela pede que consumidores domésticos e também comerciais, como proprietários de restaurantes e lanchonetes, que tenham paciência. Isto porque os trabalhadores no setor petroleiro entraram em greve ontem, com duração de 72 horas. “Esta nova greve irá atrasar ainda mais a normalização da situação. Acreditamos que tudo volta ao normal dentro de 10 dias”, destaca.