O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Paraná deflagrou ontem, a segunda fase da Operação Control-Z, cumprindo 12 mandados de busca e apreensão, sendo oito em Arapongas e quatro em Maringá.
As investigações, conduzidas pela 1ª Promotoria de Justiça de Arapongas, tiveram início em 2017 e buscam apurar crimes de fraude à licitação, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro com possível constituição de organização criminosa, supostamente envolvendo servidores do município, empresários, e ainda a ex-presidente da Câmara Municipal de Arapongas do período de 2013 a 2014, Margareth Pimpão Giocondo.
A apuração é baseada em contrato firmado pela Câmara de Arapongas com uma empresa, com sede em Maringá, contratada em 2013 para digitalização de documentos da casa legislativa. Segundo as investigações, os empresários envolvidos efetuavam pagamentos de propina ao grupo, para manterem o contrato e obterem aditivos, havendo indicação do pagamento de valores que supostamente chegaram a R$ 22 mil, por vários meses, entre 2015 e 2016.
Dos mandados cumpridos ontem, três foram cumpridos em gabinetes de servidores na Câmara Municipal de Arapongas, seis em residências, um escritório e dois em empresas investigadas. De acordo com o coordenador do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em Londrina, Jorge Fernando Barreto da Costa, a nova etapa da investigação, que segue em andamento, busca identificar a participação de outros servidores da Câmara Municipal de Arapongas no esquema, outros empresários que simulavam participação na licitação, além de pessoas ligadas à chefia do grupo criminoso.
“Nesta 2ª fase cumprimos mandados na residência da então presidente da Câmara de Arapongas à época dos fatos, Margareth Pimpão Giocondo, além das residências de servidores integrantes da comissão de licitações e da procuradoria, além de seus respectivos gabinetes na Casa de Leis”, explicou.
DENUNCIADOS
Como resultado da primeira fase da operação, promovida em 2017, foram denunciadas quatro pessoas que teriam participação no esquema criminoso: o ex-presidente da Câmara entre 2015 e 2016, Valdeir José Pereira, o Maringá, o então presidente do Conselho da Comunidade do Município (posteriormente afastado do cargo), na conta de quem eram feitos os depósitos depois repassados ao então chefe do Legislativo), e dois empresários que seriam os responsáveis pelos pagamentos. De acordo com a apuração da Promotoria de Justiça, a transferência desses valores ao “laranja” mascarava a real natureza dos depósitos fazendo crer que o vereador apenas quitava uma dívida, caracterizando o ato como lavagem de recursos de origem ilícita.