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Gás de cozinha ‘some’ das revendas

Renan Vallim

| Edição de 05 de junho de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Os reflexos dos 10 dias de greve dos caminhoneiros ainda atingem o abastecimento de gás de cozinha em todo o Estado. Na região, ainda são poucos os estabelecimentos com o produto em estoque. Com produto em falta, tem revenda adotando sistema de senhas para atender os consumidores. Apucarana e Arapongas estão entre as cidades com maiores dificuldades em termos de oferta de botijões, de acordo com sindicato da categoria. 

Imagem ilustrativa da imagem Gás de cozinha ‘some’ das revendas


A presidente do Sindicato das Empresas de Atacado e Varejo de Gás Liquefeito de Petróleo (Sinegás), Sandra Ruiz, explica que a logística do setor é mais  complexa que a dos combustíveis e, a grande demanda, dificulta o reabastecimento. “A maioria das distribuidoras faz o envase dos botijões em Araucária, região metropolitana de Curitiba. Esses veículos saem do interior carregados de cascos vazios e retornam com os botijões cheios. O que vem ocorrendo é que que chega às distribuidoras já sai imediatamente e nem chega as revendas”, afirma. 
Segundo dados do sindicato, que representa os revendedores de 229 municípios paranaenses, durante os 10 dias de bloqueios nas rodovias, deixou-se de vender quase 306 mil botijões de 13 quilos. “O prejuízo estimado que tivemos ultrapassa os R$ 21 milhões. Os empresários tiveram que baixar as portas por pelo menos uma semana porque os estoques estavam zerados. Agora as cargas que chegam não são suficientes para atender aos consumidores. O nosso pedido é que as pessoas comprem apenas o necessário e não estoquem botijões reserva em casa, para que possamos atender realmente os que precisam do produto”, orientou Sandra Ruiz.
Ivo Guerra, proprietário de uma revenda de gás de cozinha em Apucarana, reclama da situação. “Estou há 15 dias sem trabalhar. Não sei como vou conseguir pagar minhas contas deste jeito. A última vez que recebi um carregamento de gás foi na última sexta-feira: só oito botijões. Como posso trabalhar assim?”, afirma.
Segundo ele, muitos depósitos de gás não estão repassando o produto às revendas menores. “Eles recebem os botijões e vendem lá mesmo, direto ao consumidor final, sem repassar para os revendedores. Inclusive alguns estão comercializando o produto a um valor acima de R$ 80, se aproveitando da situação”, destaca.
O proprietário da revendedora diz ainda que o déficit de botijões de gás em Apucarana passa dos 20 mil. “Não sei quando vou receber um novo carregamento. O pior de tudo é escutar acusações absurdas de que estaríamos escondendo gás para poder cobrar mais caro. Tem sido difícil”, diz. 
Em Arapongas, a escassez também é grande. A maioria das revendas continua sem o produto. Alguns estabelecimentos estão distribuindo senhas para quando o produto chegar. “Assim como a maioria das revendas, estamos sem o produto. Não estamos distribuindo senhas, mas sei que algumas revendas estão. Não sabemos quando receberemos mais botijões, mas acreditamos que amanhã [hoje] deva chegar um novo carregamento”, diza atendente de uma revendedora de Arapongas que não quis se identificar.

Aulas serão retomadas hoje 
A Autarquia Municipal de Educação (AME) de Apucarana comunicou ontem que as aulas na rede municipal de ensino serão retomadas hoje. As atividades haviam sido suspensas nas 36 escolas e 23 Centros Municipais de Educação Infantil (CMEIs) na última quarta-feira (30) devido à mobilização dos caminhoneiros e a escassez de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). “Cerca de 90% das nossas escolas e CMEIs oferecem o ensino em tempo integral. O consumo do gás de cozinha é grande, uma vez que os alunos fazem até quatro refeições diárias. Apenas hoje [ontem], a empresa vencedora da licitação conseguiu assegurar o fornecimento emergencial de botijões para as nossas unidades”, detalha ela.
A diretora-presidente da AME, Marli Fernandes, afirma que os 11 mil alunos não foram prejudicados. “Como o calendário escolar previa recesso na sexta-feira, após o feriado, as crianças perderam apenas dois dias de aula. Mas os professores foram orientados a enviar atividades para casa, com conteúdo compatível ao lecionado em classe” explicou.
Em Arapongas, as aulas, que também haviam sido suspensas na semana passada, foram retomadas ontem. A Secretaria Municipal de Educação informou ainda que o transporte de estudantes também está funcionando normalmente.

Petrobras admite rever reajustes
Na tarde de ontem, a Petrobras admitiu que pode rever o reajuste diário no preço dos combustíveis. De acordo com o jornal Valor Econômico, a estatal impõe duas condições para essa rediscussão: que a empresa não perca o lastro nos preços internacionais e que ela seja protegida contra a importação nos períodos em que a cotação do mercado externo estiver abaixo da vigente no Brasil.
A política de preços vigente atualmente foi adotada pela empresa em junho do ano passado e leva em consideração a flutuação do preço internacional do petróleo. Desde modo, o valor da gasolina e do diesel, derivados do produto, são reajustados diariamente. 
Assim como o gás de cozinha, os combustíveis também estão com problemas de abastecimento. No entanto, a situação dá sinais mais consistentes de melhora, com as filas nos postos de gasolina praticamente inexistentes desde o sábado (2).
De acordo com nota divulgada ontem pelo Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Sindicombustíveis-PR), a situação do abastecimento “melhorou bastante na região e em todo o Paraná, mas ainda não está normalizada. O fornecimento por parte das distribuidoras não retomou o ritmo anterior à greve. Assim, ocorre de um posto receber uma carga, vender tudo e ficar sem produtos até conseguir receber novamente. Isso varia muito, conforme cada posto e cada distribuidora”.
Ainda segundo a nota, “acreditamos que será necessária mais uma semana para que a distribuição seja totalmente normalizada. De qualquer modo, é positivo que já não haja tantas filas e a oferta de postos com algum tipo de produto tem aumentado”.

Procon divulga pesquisa de preço
O Serviço de Proteção ao Consumidor (Procon) de Arapongas divulgou ontem uma pesquisa de preços do gás de cozinha na cidade. O levantamento foi realizado antes da greve dos caminhoneiros, entre os dias 14 e 21 de maio. Os caminhoneiros bloquearam as rodovias no dia 21 de maio, mas a falta do produto só foi ser sentida pelo menos dois dias depois.
O órgão incluiu na pesquisa 22 revendedores de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP). O preço do produto, para que o cliente retire diretamente no estabelecimento, variou 5%, sendo vendido entre R$ 62 e R$ 65. Já o preço do produto com entrega em domicílio variou 8%, sendo comercializado entre R$ 65 e R$ 70.
De acordo com o órgão, o objetivo da pesquisa é esclarecer o público oferecendo uma referência ao consumidor através dos preços obtidos. Recentemente, o Procon araponguense, junto ao Ministério Público, investigou a formação de cartel no setor. Segundo o órgão, a fiscalização vai continuar após a grave para coibir abusos nos preços.