Em tempos de altas contas de energia, uma família apucaranense fez com que a casa e o negócio, uma oficina mecânica, se tornassem autossuficientes no setor. Eles instalaram 20 módulos que transformam a luz solar em energia, suprindo todas as necessidades e fugindo dos constantes aumentos da conta de luz. A energia que sobra ajuda a alimentar a rede elétrica comum e se transforma em créditos. O investimento, de aproximadamente R$ 45 mil, seria o primeiro do tipo no município.
José Roberto Franco é o proprietário da oficina, na Vila Feliz, e mora com a mulher em um apartamento na sobreloja. Ele foi apresentado à tecnologia há mais de cinco anos pelo próprio filho, Danilo, que na época cursava Engenharia Elétrica em Santa Catarina. “Quando vi aquela tecnologia, quis implementar na minha casa. Mas a legislação, na época, não permitia. Então fiquei com aquela ideia na cabeça”, conta.
Então, em 2012, uma resolução liberou o acesso de pessoas físicas à rede elétrica. Foi o início do projeto de autossuficiência. “Pouco tempo depois, começamos a tocar essa ideia. Meu filho fez todo o projeto necessário e, em março deste ano, adquirimos os equipamentos. A instalação foi feita há cerca de um mês e, há duas semanas atrás, os engenheiros da Copel liberaram o acesso à rede”, afirma ele.
José Roberto se mostra totalmente satisfeito com o novo sistema. “Para mim é um excelente negócio. A economia de energia deverá ‘pagar’ o equipamento em até seis anos. Fora a economia, acredito que essa é uma alternativa ecologicamente sustentável também. Afinal, temos que pensar no futuro”, ressalta. O Paraná ainda ‘engatinha’ nessa nova tecnologia. Dados de agosto deste ano da Copel apontam apenas 52 consumidores gerando sua própria energia.
PROJETO
O engenheiro eletricista Danilo Alberto de Franco, filho de José Roberto, é diretor de operações de uma empresa especializada em projetos e instalações de fontes de energia renováveis, com foco na energia solar. Ele explica que foram instalados 20 módulos fotovoltaicos no telhado do imóvel do pai, com capacidade de produção mensal de até 700 quilowatts-hora, o que equivale a uma conta de luz de aproximadamente R$ 500.
“O projeto foi feito com base no gasto energético médio dos meses anteriores. A casa e a oficina, somadas, gastam em média 600 kWh. A energia que sobra é enviada para a rede comum, se transformando em créditos. Nos períodos em que a produção de energia solar não é suficiente ou não existe (a noite, por exemplo), a rede elétrica comum é acionada automaticamente e esses créditos são utilizados para pagar a conta. Essa é uma operação extremamente vantajosa”, avalia.
Hoje, a família Franco paga para a Copel apenas o valor mínimo exigido para a ligação do imóvel à rede. “As vantagens são inúmeras, e não só financeiras ou ambientais. A manutenção é simples e muito rara. Não é necessário nem limpar os módulos. Não é preciso baterias, não faz barulho... enfim, é uma tecnologia muito vantajosa. Não conheço outras pessoas físicas que fizeram esse investimento, mas acredito que essa deverá ser uma tendência a partir de agora”, afirma Danilo