Os remédios estão até 12,5% mais caros desde ontem. O Governo Federal publicou a autorização do reajuste no Diário Oficial da União de ontem, através de resolução da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. A medida atinge mais de 9 mil medicamentos em todo o país. Farmácias de Apucarana projetam queda nas vendas em decorrência do aumento.
As farmácias e drogarias deverão manter à disposição dos consumidores e dos órgãos de defesa do consumidor as listas dos preços de medicamentos atualizadas, informa a resolução.
Esta é a primeira vez em mais de 10 anos que o governo autoriza um reajuste anual de preços acima da inflação. Entre março de 2015 e fevereiro de 2016, a inflação calculada pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 10,36%. Em 2015, o reajuste máximo autorizado foi de 7,7%. Em 2014, o reajuste foi de 5,68%.
Márcio Antoniassi, que faz parte do Conselho Regional de Farmácia (CRF) e é proprietário de uma farmácia em Apucarana, explica que o aumento aconteceu após pressões da indústria farmacêutica.
“Com a forte alta do dólar ocorrida recentemente, os lucros das empresas diminuíram consideravelmente, já que a maioria dos princípios ativos dos medicamentos são importados. A alta nos preços foi aprovada pelo governo com o objetivo de reparar essas perdas e fazer com que as empresas recuperem os lucros”, diz.
ÍNDICE MÁXIMO
O índice de 12,5% representa o aumento máximo dos remédios. Isso não significa que todos os medicamentos terão seus preços reajustados no teto máximo. “Creio que todos deverão subir pelo menos 10%. Isso vai fazer com que o movimento diminua. Como o remédio sobe uma vez por ano, as pessoas e habituam a comprar sempre no mesmo preço. Quando os valores aumentam, as pessoas passam a comprar menos. Essa tendência dura cerca de dois meses e depois volta ao normal”, explica.
A oscilação no movimento também é esperada por Onice Matheus, também proprietária de uma farmácia na cidade. “O movimento já vem caindo nos últimos tempos. Com esse aumento nos preços, as compras devem cair mais ainda. É uma situação complicada, principalmente com as pessoas que fazem uso de remédios regularmente”, ressalta.