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Greve dos caminhoneiros já causa falta de combustíveis em postos da região

Renan Vallim

| Edição de 23 de maio de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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A greve dos caminhoneiros já está provocando falta de combustível nos postos da região. Ontem, manifestantes fizeram dois novos bloqueios na região, na BR-369, entre Apucarana e Arapongas e na PR-466, em Jardim Alegre, elevando para seis os pontos de paralisação. Ao final da tarde, a contagem oficial das polícias rodoviárias Federal (PRF) e Estadual (PRE) apontava para 104 bloqueios em todo o estado. 

Imagem ilustrativa da imagem Greve dos caminhoneiros já causa falta de combustíveis em postos da região


A manifestação na BR-369 teve início na manhã de ontem, próximo ao distrito araponguense de Aricanduva. Até o final desta edição, os manifestantes continuavam no local. Apenas caminhões eram impedidos de seguir viagem. Já outros veículos, como carros de passeio, ônibus e motocicletas, trafegam sem problemas.
“Este é um movimento que não é apenas pelos caminhoneiros. Todos os cidadãos estão vendo os aumentos e sentido o impacto no bolso. Precisamos de mais respeito dos políticos”, afirma o caminhoneiro Adriano de Souza.
Leandro Kisti, também caminhoneiro, diz que os atos não têm prazo para terminar. “Pretendemos ficar aqui até algo ser feito. Estamos recebendo apoio da grande maioria da população. Somos todos pessoas trabalhadoras, mas que não estão conseguindo pagar as contas. Queremos um Brasil melhor”.
Por conta dos protestos, os caminhões-tanque que abastecem os postos de combustíveis estão impedidos de chegar ao destino. Com isso, vários estabelecimentos já registram a falta do produto. Praticamente todos os postos de Arapongas estavam com o estoque zerado no início da noite de ontem.
“Aqui já acabou tudo. Não foi possível estocar e, por isso, os tanques secaram. Muita gente, por precaução, procurou encher os tanques dos veículos. Apesar disso, sou a favor dos protestos. Todos nós estamos sofrendo com os aumentos do governo”, afirma Ronaldo Campos, gerente de um estabelecimento de Arapongas.
Em Apucarana, a situação era um pouco mais tranquila, pois o número de estabelecimentos sem combustível era menor do que na cidade vizinha. Mesmo assim, a situação é de alerta. “Como mantemos os tanques cheios, ainda há combustível no estoque. Mas o medo da população acaba impactando no mercado. Tivemos cerca de 50% de aumento no movimento. Se continuar assim, a tendência é do combustível logo acabar”, diz Wellington Kreb, proprietário de um posto em Apucarana. Em Ivaiporã, até a tarde de ontem, a situação era normal.
De acordo com dados da PRF e PRE, são 68 pontos de bloqueio em rodovias estaduais e 36 em rodovias federais. Na região, existem pelo menos seis bloqueios em cinco rodovias: as BRs 369 e 376, além das PRs 444,  218 e 466.
Os protestos acontecem em todo o país e têm como principal reivindicação a redução nos preços dos combustíveis. 
BRASÍLIA
Após reunião em Brasília, o governo decidiu zerar a cobrança da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide) sobre os combustíveis para tentar baixar o preço nas bombas. A informação foi dada ontem pelo presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
A Cide é cobrada desde maio de 2015. A alíquota é de R$ 0,10 por litro para a gasolina, e R$ 0,05 por litro para o diesel. Não há cobrança para o etanol. Na prática, o efeito no preço para o consumidor deve ser pequeno. A Cide corresponde a cerca de 2% do preço da gasolina e 1,5% do valor do diesel nas bombas.
Já a Petrobras anunciou redução do preço do diesel em 1,54% e da gasolina em 2,08% nas refinarias. A redução foi motivada pela queda do dólar frente ao real. Os novos preços entram em vigor a partir de hoje.