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Greve pode suspender perícias do INSS

Renan Vallim

| Edição de 27 de agosto de 2015 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Imagem ilustrativa da imagem Greve pode suspender perícias do INSS
Agência de Arapongas funciona a portas fechadas e só entra quem tem perícia marcada | Foto: S[ergio Rodrigo

Após mais de 50 dias de greve, os servidores das agências da Previdência Social da região ainda não sabem quando os serviços vão ser retomados. Até ontem apenas as perícias médicas continuavam sendo realizadas, mas até elas poderão ser suspensas em breve, pelo menos em Arapongas. Na região, as agências de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã estão funcionando a portas fechadas - uma decisão judicial obriga a manutenção de parte dos servidores sob pena de multa - e apenas quem tem perícia previamente agendada está sendo admitido.

De acordo com um dos diretores do Sindicato dos Servidores Públicos Federais em Saúde, Trabalho, Previdência Social e Ação Social do Paraná (Sindprevs) e pertencente ao comando de greve na região de Londrina, Ruy Girardes, em Arapongas e Apucarana os processos de entrada de pedidos de aposentadoria e outros atendimentos não estão sendo feitos. “As perícias são feitas ainda, mas de modo bem precário. Os médicos continuam fazendo o trabalho deles, mas a parte administrativa das perícias é realizada por outros funcionários. Por isso, alguns beneficiários estão precisando esperar mais tempo do que o normal, principalmente para a aprovação e início do recebimento dos benefícios”, destaca ele.

Nesta semana, 30 da 74 agências em greve do Paraná suspenderam inclusive as perícias. Arapongas pode seguir o mesmo caminho, afirma o sindicalista. “Estivemos na semana passada conversando com os profissionais de Arapongas e eles nos tem relatado uma situação tensa por lá. Inclusive houve um desentendimento na agência há alguns dias que precisou até de intervenção policial. O fato deixou os médicos peritos ainda mais assustados e, por isso, existe a possibilidade de paralisação das perícias”.

IVAIPORÃ

Em Ivaiporã, os cidadãos reclamam. Segundo Jair Antônio Burato, presidente do Sindicato dos Aposentados de Ivaiporã e região, os usuários do serviço não sabem a quem recorrer. “Está tudo parado desde julho. Inclusive, até o dia 10 deste mês não havia sequer as perícias de auxílio-doença. Mesmo assim, os agendamentos que estão sendo atendidos são bastante limitados, com poucas consultas durante o dia”, diz.Ainda segundo Burato, há falta de informações por parte dos servidores. “As pessoas chegam à agência e são recebidas pelos vigilantes, que também não sabem o que fazer. Até acho justa a reivindicação de aumento de salários, mas deixar a população à mingua é uma injustiça”, assinala.

Na tarde de ontem, a reportagem da Tribuna esteve nas agências de Apucarana, Arapongas e Ivaiporã. Nos três locais, o atendimento foi feito pelos vigilantes dos prédios. A orientação dada foi a de procurar o sindicato da categoria ou a assessoria de imprensa do INSS em Curitiba. A reportagem entrou em contato com a assessoria, mas não recebeu o posicionamento oficial do órgão até o final desta edição.

A paralisação dos servidores do INSS é nacional e começou em 7 de julho. Os servidores de carreira pedem reajuste salarial de 27%, realização de concurso público, fim do assédio moral, incorporação das gratificações, entre outros. O governo, por sua vez, oferece 21,3%, parcelado em quatro anos.