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História de sustentabilidade

Fernanda Neme

| Edição de 30 de abril de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Agricultura orgânica e sustentabilidade podem parecer algo novo no cenário atual. Alimentos geneticamente modificados e plantações alteradas devido à contaminação pelo excesso de agrotóxicos têm sido citados com frequência na mídia e em consultórios médicos. Porém, na família do produtor rural Lauro Wittmann, de Jandaia do Sul, as questões ambientais percorrem gerações.

Imagem ilustrativa da imagem História de sustentabilidade

Desde 1946, quando a família do agricultor saiu de São Paulo, fugindo da perseguição causada pela Segunda Guerra Mundial e se instalou em uma propriedade de 20 alqueires localizada em Jandaia do Sul, o tema meio ambiente já fazia parte das preocupações dos Wittmann.
O avô de Seu Lauro, como é mais conhecido na região, era guarda ambiental na Europa e seu pai sempre se procurou respeitar a natureza. O costume de produzir sem agrotóxicos, por exemplo, foi herdado da avó, que já vetava este tipo de produto na horta que cultivava para alimentar a família.
Hoje a propriedade da família é referência em sustentabilidade. O morango orgânico é considerado por ele carro-chefe da produção. Contudo, na propriedade também são produzidos diversos tipos de cereais, como linhaça dourada e marrom, amendoim, grão de bico e até chícharo - um parente do grão de bico muito consumido na Ásia e no Oriente.
Boa parte da produção vem de sementes crioulas, ou seja, sem modificação genética. “Consigo espécies diferentes em bancos de sementes que acontecem frequentemente. A semente do chícharo veio de Portugal”. Outra atividade importante na propriedade é o viveiro. A família cultiva cactos e suculentas e 80 espécies de plantas medicinais e aromáticas, como alecrim, arruda, novalgina, entre outras. O agricultor também recebe com frequência estudantes da Universidade Estadual de Maringá (UEM) e Universidade Federal do Paraná (UFPR) – Campus Jandaia e Curitiba, e turistas que aproveitam da bela paisagem para fazer trilhas.
Por conta da contribuição da família para agricultura sustentável, o agricultor e sua família viraram personagens em revistas em quadrinhos da UEM. Nas publicações, seu Lauro fala sobre agricultura orgânica e sustentabilidade de forma mais leve e descontraída. “Para mim é orgulho ver meu trabalho reconhecido”. Desde 2002, passaram pela propriedade, mais de cinco mil pessoas, para visitações turísticas e ensino/pesquisa.

Produtor pretende abrir pousada
Atualmente, a propriedade é administrada por seu Lauro, que vive com a esposa Márcia, com os filhos Fábio e Lidiane, e com os pais dele Paula e Guilherme. A primeira casa construída na propriedade foi feita com paredes de palmito e coberta de pequenas tábuas de madeira. “Cresci vendo meus familiares preocupados com a sustentabilidade e com a natureza”, comenta seu Lauro.
Por conta do grande volume de visitantes, a propriedade tem até um pequeno museu. Ainda no local se encontra, inclusive, um sistema de máquinas desenvolvido por ele pelo pai, usado para descascar arroz e cortar madeira dentro das necessidades da propriedade. “O arroz é descascado. A casca vai para as composteiras para a produção de adubo e o farelo segue para alimentar os animais. Fecha o ciclo ali mesmo”.
Segundo o produtor, um estudante de Minas Gerais tem como tema as máquinas da família Wittmann para o trabalho de conclusão de curso. “Sustentabilidade é coisa de família e motivo de muito orgulho para nós”. De olho no futuro, seu Lauro tem planos mais ambiciosos. “Como a idade vem chegando, espero abrir uma pousada e trabalhar ainda mais com o ecoturismo”, comenta. Hoje, a propriedade recebe grávidas e noivos, que participam de sessões fotográficas.

Início foi complicado
Pioneiro na agricultura orgânica, seu Lauro começou a se especializar em agricultura orgânica em 1999, motivado pela família. Ele destaca que o início foi muito difícil, principalmente pela falta de informações técnicas. “Durou um bom tempo para conseguir limpar o solo”, comenta o produtor, que passou a ser assessorado pela Emater.
O produtor explica que na agricultura orgânica, o solo deve ser tratado antes das plantas para que não atraia insetos e pragas. “O solo é igual ao corpo humano, quando bem nutrido não pega doenças”. Os primeiros anos de transição, seu Lauro recorda que foram complicados.
Ele utilizou outras plantas, como mucunha, feijão-fradinho, feijão de porco, que tiram as impurezas e fixam nitrogênio no solo, além de usar crotalarias, que trazem nutrientes para a superfície do solo. “Produzimos de 5 a 6 mil bandejas de morango entre junho a dezembro e falta também mão de obra qualificada para expandir a produção”,
comenta.