Colocar fogo em vegetação ou para limpar o quintal é um gesto muito comum, porém perigoso. De janeiro a 12 de abril, o Corpo de Bombeiros de Apucarana atendeu 105 chamadas para conter queimadas ambientais, mais frequentes com clima seco dos últimos dias. O número representa um aumento de 15% em comparação ao mesmo período do ano passado. Somente nos primeiros doze dias deste mês foram registradas 28 ocorrências, o que corresponde a 82% das situações registradas de janeiro, mês com maior incidência.
O comandante do Corpo de Bombeiros de Apucarana, major Hemerson Saqueta Barbosa, avalia que a causa mais frequente de focos de incêndio em vegetação, lixo ou madeira é decorrente da ação humana. “Infelizmente, as pessoas utilizam a ação do fogo para a limpeza de terrenos e pastagens”, comenta.
Ainda de acordo com Saqueta, como agravante, em muitos casos, o incêndio é causado por pessoas que têm interesse em limpar a área para construir ou para evitar multas. “Neste caso, as equipes do Corpo de Bombeiros retornam mais vezes no mesmo foco, gerando desgaste de viaturas, equipamentos e pessoal”, sublinha.
Para evitar danos ambientais e ao próprio organismo, ele orienta capinar os terrenos sem o uso de fogo ou, se necessário, cercar-se de todos os cuidados, como fazer aceiros e informar o Corpo de Bombeiros. “Além disso, ao trafegar pelas rodovias, não jogar bitucas de cigarros pela janela, pois pode iniciar um incêndio nas margens da estrada”, afirma.
Saqueta observa ainda que as queimadas, seja na vegetação ou para limpar o quintal, causam vários problemas. “Impactam o meio ambiente, pois destroem a vegetação, causa morte de animais, além de pôr em risco edificações próximas e o tráfego de veículos. Os acidentes de trânsito e os riscos para aviação também são causados pela fumaça dos incêndios ambientais”, alerta.
Outro dano, segundo Saqueta, é o empobrecimento do solo, a mortandade de peixes e animais, uma vez que as queimadas desequilibram o ecossistema, agravam o aquecimento global e contribuem para a destruição da camada de ozônio, que protege nosso planeta dos raios solares.
Além dos prejuízos ambientais, a fumaça e a fuligem ocasionadas pelos focos de incêndio, agravam os problemas respiratórios, principalmente em idosos e crianças. Incêndio ambiental é crime previsto na Lei Federal nº 9605/98.
Arapongas pede mais conscientização
A Secretaria de Agricultura, Serviços Públicos e Meio Ambiente (Seaspma) de Arapongas pede a conscientização da população para evitar focos de incêndio tanto na área urbana quanto rural. “Registramos quatro situações, mas o período crítico de queimadas ainda não começou. Nós estamos nos antecipamos e pedindo a conscientização da população, para que evite usar o foco para limpar queimadas”, diz o secretário da pasta Roberto Dias dos Santos.
Ele comenta que a secretaria trabalha em parceria com a Guarda Ambiental. “Os guardas fiscalizam e a Secretaria procura identificar os responsáveis. Nós pedimos a população que denunciem as queimadas irregulares”, ressalta. Santos reforça que queimadas é crime ambiental e que as denúncias podem ser feitas pelo telefone 153, da Guarda Ambiental, 3902-1196, na secretaria de Meio Ambiente.