O engenheiro José Mauro Coelho tomou posse nesta quinta-feira (14), na presidência da Petrobras, no lugar do general Joaquim Silva e Luna, que deixou a empresa demitido pelo presidente Jair Bolsonaro (PL). Indicado pelo governo, o engenheiro desembarca na estatal com desafio semelhante ao de seus antecessores, de conduzir a política de preços dos combustíveis, motivo do desentendimento de ex-presidentes com Bolsonaro.
Coelho tomou posse no comando da companhia em cerimônia transmitida virtualmente pelo site da Petrobras. Em um discurso de 15 minutos, o engenheiro defendeu que a prática de preço de mercado é uma condição necessária para criação de um ambiente de negócios competitivos, atração de investimentos e novos agentes econômicos no setor, além de garantir o abastecimento do mercado interno. Segundo ele, esse cenário permitiria elevar o aumento da concorrência, com benefício ao consumidor brasileiro.
“É importante ressaltar que, embora sejamos autossuficientes e exportadores de petróleo, somos importadores de vários combustíveis, como gás de cozinha, gasolina, diesel e querosene de aviação, o que impõe a agentes de mercado e governo federal grandes desafios para a garantia de abastecimento”, disse ele, que defendeu ainda uma melhor comunicação com a população.
“Muitas vezes, não conseguimos ter comunicação que chegue de forma palatável para o povo brasileiro. Maior interação com Congresso Nacional, com Executivo Nacional”, disse Coelho.
Coelho afirmou que o Brasil seria atualmente o sétimo maior produtor de petróleo do mundo e que a expectativa seria atingir a quinta posição mundial até 2030. Segundo ele, isso não seria possível sem o modelo de gestão que a empresa adotou a partir de 2017, no governo Michel Temer, e continuou a partir de 2019, no governo Bolsonaro. Para ele, isso permitiu “vultosos investimentos”, como no pré-sal.
“Em 2014, a dívida bruta da Petrobras era de cerca de US$ 160 bilhões, uma das maiores do mundo corporativo. Hoje, com o novo modelo de gestão da empresa, é inferior a US$ 60 bilhões. É a redução da dívida da Petrobras que abre espaço para fazer maiores investimentos”, disse o engenheiro em seu discurso de posse.
Ele sinalizou ao mercado, ainda, a manutenção de uma série de políticas da Petrobras, como desinvestimentos em campos maduros de petróleo, em refinarias de petróleo e no setor de gás natural, como no Gaspetro e no TBG . “Vamos ser aderentes ao plano estratégico 2022-2026, maximizando ativos de águas profundas e ultraprofundas”, afirmou Coelho, acrescentando que os investimentos em refino serão focados em locais próximos da produção.