O contrato de concessão das rodovias federais à iniciativa privada acaba em 2021 no Paraná. As discussões em torno do que fazer com as vias após o fim deste prazo devem ser iniciadas a partir de agora. Atualmente passando por obras de duplicação, o trecho da BR-376 entre Apucarana e Ponta Grossa tem oito frentes de trabalho contínuo sendo coordenadas pela concessionária CCR RodoNorte, com previsão de investimento de R$ 1,1 bilhão nos próximos quatro anos. De acordo com o presidente da empresa, a infraestrutura precisa entrar no debate político, sobretudo com a proximidade das eleições.
Presidente da CCR RodoNorte desde 2013, José Alberto Moita destaca que, desde 1997, quando a empresa adquiriu a responsabilidade pela rodovia, a BR-376 foi se consolidando como uma das principais vias de ligação do país. “Durante o período de concessão, a Rodovia do Café se consolidou como o principal corredor rodoviário de exportação do país, especialmente para o agronegócio. E isso foi possível justamente pelas boas condições estruturais da rodovia, que possibilitam o escoamento da produção”.
Ele ressalta que as boas condições da pista propiciam ainda um bom ambiente de negócios para que os municípios. “Eles ficam mais competitivos na atração de novas indústrias. Ou seja: hoje, a Rodovia do Café é uma solução logística viável para o Estado. Também é importante dizer que, em um momento de retomada do crescimento da economia brasileira, o agronegócio e a industrialização tem papel fundamental para garantir o bom desempenho da nossa balança comercial”.
Moita é engenheiro civil formado em 1984 pela Universidade de Brasília (UnB) e já atuou em projetos de infraestrutura em onze estados. Integra o Grupo CCR desde 1998, há quinze anos. Assumiu o cargo de diretor da CCR RodoNorte em junho de 2010, após vasta experiência adquirida em empreendimentos de Engenharia e Mobilidade Urbana pela concessionária CCR AutoBAn (Sistema que integra as rodovias paulistas Bandeirantes e Anhanguera), onde foi igualmente diretor.
A CCR RodoNorte integra o Grupo CCR, o maior grupo de infraestrutura da América Latina e um dos maiores do planeta. O Grupo CCR se notabiliza no mercado pela qualidade na prestação de serviços e também pela governança corporativa e sustentável em todos os níveis, o que possibilitou, dentre outras certificações, que o Grupo CCR fosse a primeira corporação a integrar o Novo Mercado da Bolsa de Valores de São Paulo e seja presença constante no Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE). Além da CCR RodoNorte, o Grupo CCR opera concessões importantes no país, como a principal ligação rodoviária entre São Paulo e Rio de Janeiro, a Via Dutra, o quinto maior aeroporto do país, de Belo Horizonte, e também seja responsável pela primeira Parceria Público-Privada do Brasil, a Linha 4 Amarela do Metrô de São Paulo.
“Esta expertise nacional e internacional, além do ambiente de governança corporativa, dá condições para que o Grupo e todas as suas unidades de negócio compartilhem experiências nos diversos modais de infraestrutura e também colabora para garantir um atendimento de excelência para o usuário nas rodovias. Além disso, permite um cenário constante de inovação e de aprimoramento de processos em todos os níveis, que resulta em equipes constantemente qualificadas e prontas para atuar desde ocorrências mais simples até os atendimentos emergenciais mais complexos”, afirma o presidente.
Concessões devem entrar no debate eleitoral
As eleições de 2018, sobretudo a escolha do próximo governador do Paraná, devem ser de fundamental importância para o futuro das estradas. Será no próximo mandato que o Governo do Estado irá definir o modelo de gestão das rodovias que será adotado após o término das concessões vigentes.
Para o presidente da CCR RodoNorte, José Alberto Moita, a infraestrutura deve ser um dos principais temas do debate político até as eleições.
“Acredito que as prioridades dentro do debate eleitoral no Estado do Paraná devam ser permeadas pela melhoria da qualidade de vida dos paranaenses. E esta melhoria passa por investimentos em diversas áreas: saúde, educação, segurança pública, e também na geração de empregos, atração de indústrias e investimentos nos municípios. E é neste cenário que o debate sobre o futuro da infraestrutura do Estado deve ser inserido”, afirma.
Ele espera que o nível do debate esteja equiparado à importância do tema. “Mesmo incluídas na esfera política, estas discussões precisam estar alicerçadas em critérios técnicos e que tenham como principal objetivo o desenvolvimento do Estado. Independente do modelo a ser adotado e da decisão tomada pelo próximo governador, que esta decisão esteja embasada pela intensa participação da sociedade civil organizada e dos setores produtivos”.
Brasil investe apenas 2% do PIB
Ao todo, 61% de tudo o que é comercializado no país passa pelas rodovias, aponta levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT). Esse volume de produtos é destinado tanto para suprir a demanda local quanto para a exportação. A localização geográfica estratégica do Paraná faz com que muitos desses produtos sejam escoados pelas rodovias locais, sobretudo pela BR-376, a Rodovia do Café.
Segundo dados da Associação Brasileira de Logística (Abralog), historicamente, o país investe cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB) em infraestrutura, quando os recursos deveriam corresponder a, no mínimo, 5% do PIB. Estamos muito atrás da China, que destina mais de 7% do seu PIB para o setor, e mesmo de outros países latino-americanos, como o Chile, cujos investimentos chegam a 6%.
“O Paraná e o Brasil necessitam de investimentos cada vez mais maiores na área da infraestrutura, sejam eles provenientes do setor público ou privado. Estes investimentos são fundamentais para resolver os gargalos de infraestrutura do Estado e do país em todos os seus modais. Acreditamos que os gestores públicos, em todas as suas esferas, podem enxergar nas concessões e nas parcerias público-privadas uma alternativa para aumentar cada vez o volume de investimento em infraestrutura. Um exemplo está justamente nas diversas concessões existentes no País”, analisa o presidente da Rodonorte, José Alberto Moita .