A prisão em flagrante de um homem por pesca ilegal na Unidade de Conservação Parque Ecológico da Raposa, em Apucarana, anteontem, expõe uma série de problemas no local. Entre as principais queixas de comerciantes e usuários estão a falta de segurança e infraestrutura, que está comprometida em diversos pontos, como os banheiros, que estão fechados ao público.
O homem foi detido com uma carpa de aproximadamente 20 quilos. Segundo o vigilante Leir Alves, que trabalha há mais de 20 anos na unidade, a presença de pescadores é frequente. Ele comenta que é difícil fiscalizar toda a área, porém, sempre que possível, faz advertências. “Pescam de teimosia, porque já sabem que não podem”, afirma. Como exemplo, ele cita o caso na última quarta-feira. “Ele disse que vai voltar para ver se consegue pegar um maior ainda”, diz.
Seu Leir comenta que não consegue percorrer toda a extensão da represa sozinho. “Por isso, de vez em quando, eles conseguem pescar aqui”, justifica. Em caso de descumprimento, o vigilante avisa que a ordem é acionar a Polícia Militar Ambiental. “Sempre que solicitamos, eles vêm”, garante. Porém, não são só os peixes ameaçados, a mata precisou ser cercada para evitar retirada de material vegetal e também bloquear o acesso de grupos religiosos no seu interior, para prática de culto, como frisa o secretário de Meio Ambiente Everton Pires. “Fazemos regularmente ações de fiscalização. Há mais de um ano não realizamos detenção nem apreensão de material de caça no interior da mata, o que significa que tem dado resultado”, observa.
É justamente por seu aspecto ecológico que o Parque da Raposa é um dos pontos turísticos mais visitado do município. No local, além dos atrativos naturais, o visitante dispõe de quiosques e bicas d’água. Entretanto, comerciantes do local reclamam que o parque está praticamente abandonado nos últimos anos, em especial, no quesito segurança, o que estaria afastando o público, além dos problemas estruturais. “A presença de frequentadores caiu cerca de 70%”, avalia Claudomiro Rodrigues, que trabalha em um dos quiosques.
PRESERVAÇÃO
O secretário de Meio Ambiente reforça que o Parque da Raposa, diferente do Lago Jaboti, é uma unidade de conservação, por isso, a preservação tem que ser prioridade, não o comércio. “Em 2013, fizemos recapeamento das vias de acessos e diversas melhorias. Tanto é que melhoramos nosso conceito junto aos órgãos ambientais, aumentando a arrecadação do ICMS ecológico”, diz. Sobre a segurança, Pires alega que não é uma exclusividade da sua pasta, porém sempre que necessita tem respaldo dos órgãos responsáveis.