A maior parte dos novos postos de trabalho criados ao longo de 2018 foi ocupada por jovens com menos de 24 anos. Ao todo, foram mais de 1,4 mil vagas com carteira assinada geradas para esta faixa etária entre janeiro e agosto, aponta o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). No mesmo período, a relação entre admissões e demissões entre os trabalhadores com 25 anos ou mais ficou negativo, com o corte de 871 postos de trabalho. O Paraná foi o terceiro estado brasileiro e o primeiro na região Sul que mais empregou jovens neste ano.
Somadas, as cidades de Apucarana, Arapongas, Ivaiporã, Jandaia do Sul e Faxinal criaram 417 vagas de emprego para jovens com menos de 17 anos. Já na faixa etária entre 18 e 24 anos, foram gerados 1.048 empregos. Na faixa etária entre 25 e 29 anos, foram criadas 26 novas vagas, porém o saldo foi negativo em três municípios (ver infográfico).
O menor saldo registrado foi entre os trabalhadores com idade de 50 até 64 anos: menos 578 postos de trabalho, seguido pelos profissionais com 40 a 49 anos, que tiveram redução de 124 cargos.
Em Apucarana, foram 592 novas vagas ocupadas por jovens com menos de 24 anos. No mesmo período, profissionais maiores de 25 anos registraram saldo negativo de 649 postos de trabalho. Em Arapongas, a lógica é a mesma: 652 empregos gerados para menores de 24 anos, contra 382 vagas cortadas para pessoas acima desta idade.
Apenas Jandaia do Sul apresenta situação distinta. A faixa etária com maior geração de empregos foi de 30 a 39 anos, com saldo de 146 vagas. O saldo fica negativo apenas para trabalhadores com mais de 50 anos, que tiveram redução de 30 postos de trabalho no ano.
O economista e professor do campus de Apucarana da Universidade Estadual do Paraná (Unespar), Rogério Ribeiro, afirma que é difícil afirmar com certeza os motivos para este cenário na região, mas formula algumas hipóteses. “O que pode estar havendo é um efeito de substituição da mão de obra no mercado de trabalho, que estaria em busca de jovens com salários de início de carreira, ao invés de profissionais com maior tempo de trabalho”.
Segundo ele, outro fator que influencia nos números é o incentivo crescente ao primeiro emprego. “O que não significa que há pleno emprego entre os jovens. Infelizmente, todos os anos há uma imensidão de jovens entrando no mercado de trabalho e as vagas criadas não têm absorvido esta nova mão-de-obra. Com isso, muitos jovens acabam ficando sem emprego”, ressalta.
Gerente da Agência do Trabalhador de Apucarana, Rodrigo Lievore aponta ainda outra justificativa para a busca de jovens entre as empresas. “Acredito que a questão salarial é importante, mas há também uma priorização de trabalhadores em início de carreira para que eles sejam ‘moldados’ de acordo com o perfil da empresa contratante. Pessoas mais velhas muitas vezes trazem consigo hábitos de trabalhos anteriores, o que nem sempre é visto com bons olhos pelos contratantes”.
Paraná é terceiro em geração de empregos para jovens
Com a criação de 44.261 vagas com carteira assinada para a população de 18 a 24 anos, o Paraná foi o terceiro estado brasileiro e o primeiro na região Sul que mais empregou jovens neste ano. A participação dos jovens trabalhando com carteira assinada no Estado corresponde a 7,9% do total do País, que criou 563.428 postos de trabalho para essa faixa etária no período.
O Paraná fica atrás apenas de São Paulo, que empregou 180.706 pessoas de 18 a 24 anos, e de Minas Gerais, que criou 70.096 vagas para jovens. O Estado está à frente do Rio de Janeiro (33.005), do Rio Grande do Sul (31.513) e de Santa Catarina (28.579).
Curitiba liderou a criação de empregos para a juventude, com 12.479 vagas ocupadas por essa população, ou 28,2% do total do Estado. Na sequência estão Maringá (2.672), Londrina (1.995), Cascavel (1.960), São José dos Pinhais (1.837) e Ponta Grossa (1.369). Os demais municípios paranaenses somam 21.949 vagas, 49,6% dos empregos criados para essa faixa etária.
Na região, Apucarana ficou na 17ª colocação estadual, com Arapongas uma posição abaixo. Jandaia do Sul ficou na 56ª colocação, Faxinal em 137º e Ivaiporã, 223º.