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Juiz convoca estudantes de ocupações

Renan Vallim

| Edição de 22 de outubro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Representantes dos estudantes que ocuparam escolas estaduais em Apucarana se reuniram na tarde de ontem com o juiz Rogério Tragibo de Campos. O encontro foi motivado por um pedido de reintegração de posse das escolas ocupadas feito pela Procuradoria Estadual do Paraná. A reunião de conciliação também teve a participação do Núcleo Regional de Educação (NRE) de Apucarana e da Vara da Infância e Juventude.

Imagem ilustrativa da imagem Juiz convoca estudantes de ocupações

A reintegração de posse foi solicitada há cerca de uma semana pelo procurador Daniel Augusto Pinheiro. Em Apucarana, 11 das 19 escolas estaduais do município, foram ocupadas por estudantes. Na área do NRE, são 26 instituições de ensino.

A reunião realizada ontem teve como objetivo buscar um acordo entre as partes. No entanto, de acordo com os representantes dos alunos, haverá uma assembleia na próxima quarta-feira (26) em Curitiba, onde eles irão discutir as ocupações. Até o fechamento desta edição, o juiz ainda não havia decidido se acatava ou não o pedido de reintegração. Ele teria visitado colégios na cidade após a reunião.

“Não sairemos das escolas ocupadas antes da assembleia. Iremos ouvir todos os alunos e decidir o que é melhor para nós. Enquanto isso, continuaremos com o movimento. Na reunião, recebemos algumas orientações sobre a manutenção do patrimônio do colégio, segurança e outras questões, mas já estávamos seguindo todas elas”, explicou Bruno Gurgel, aluno do Colégio Estadual Nilo Cairo e um dos representantes dos alunos.

O Núcleo de Educação também participou da reunião. Membros do órgão mostraram-se preocupados. “Queremos resolver essa questão o mais rápido possível. Estamos aguardando uma saída para a situação. Já foi anunciada a possibilidade de cancelamento do Enem nas escolas ocupadas. Isso nos preocupa. Além disso, o ano letivo acaba ficando cada vez mais comprometido. Muitos alunos estão prestes a fazer o vestibular”, afirmou a chefe do 16ª NRE de Apucarana, Maria Onide Balan Sardinha.

PROTESTO

Pais de alunos contrários às ocupações estiveram no Fórum Desembargador Clotário Portugal, onde a reunião foi realizada, para protestar. Eles levaram cartazes e pediam a desocupação imediata dos prédios. “Queremos que nossos filhos voltem a estudar. Eu sou responsável pelo meu filho e não concordo com a ocupação. Acho justo o direito dos alunos de protestarem, mas eles não podem impedir o direito do meu filho de estudar”, afirma Rogério de Oliveira, mestre de obras e pai de um estudante de 13 anos do Colégio Estadual Osmar Guaracy Freire.

As ocupações acontecem porque a Medida Provisória 746/2016, criticada pelos alunos, promove alterações na estrutura do ensino médio através da ampliação da carga horária mínima para 1.400 horas e torna facultativas as disciplinas de Artes e Educação Física. Os sistemas de ensino também poderão escolher áreas de conhecimento que serão enfatizadas, com formação técnica e profissional. Eles também são contra a PEC 241, que propõe o ‘congelamento’ de gastos do Governo Federal.