Depositadas irregularmente há quase oito anos no barracão da Cooperativa dos Catadores de Materiais Recicláveis de Apucarana (Cocap), milhares de lâmpadas fluorescentes começam a ser encaminhadas para destinação correta. O volume de material, considerado um dos maiores passivos ambientais da cidade, começou a ser periciado anteontem. O processo, que envolve a contagem das lâmpadas e a separação por origem, foi determinado pela justiça em resposta a uma ação civil pública. A estimativa é que o barracão abrigue entre 350 mil e 400 mil lâmpadas, mais que o dobro do contido no início da ação.
A ação, impetrada pela Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, Prefeitura e Cocap pede à Associação Brasileira da Indústria de Iluminação (Abilux) e à Associação Brasileira de Importadores de Produtos de Iluminação (Abilumi) que recolha o material, como determina a lei da logística reversa, em vigor desde 2010. O processo já obteve uma série de decisões judiciais favoráveis, porém as associações recorreram sucessivamente.
Segundo o secretário interino de Meio Ambiente, Sérgio Bobig, a perícia é o primeiro passo para a retirada do material. “A empresa contratada pelas associações vai contar as lâmpadas e separar por marca antes da retirada”, comenta. A medida é necessária porque as lâmpadas de fabricação nacional são de responsabilidade da Abilux e as importadas da Abilumi.
Na primeira visita técnica, realizada anteontem, já se verificou que o problema se tornou muito maior nos últimos anos. Quando a ação foi proposta, a estimativa era de 130 mil lâmpadas. “Já percebemos que tem muito mais, algo em torno de 350 mil a 400 mil”, comenta.
Segundo ele, o prazo dado pela justiça para realização da perícia era de noventa dias, mas por conta do volume de material é possível que o trabalho seja ampliado.
Além da retirada das lâmpadas, que contém uma série de poluentes e colocam em risco o trabalho dos catadores, prefeitura e Cocap discutem com as associações como implantar uma política de logística reversa no município.
Apesar da Cocap não oficialmente não recolher mais as lâmpadas há anos, o material acaba indo parar no barracão da cooperativa. “Elas vêm no meio do reciclável e não temos como separar e nem podemos jogar no aterro”, comenta o interventor da Cocap, Antônio Roberto Nogueira, destacando que a população ainda não foi conscientizada que lâmpada não é material reciclável. “Na segunda-feira, quando a gente vem abrir o barracão, tem caixa de lâmpada na nossa porta”, comenta. A manutenção das lâmpadas no barracão é uma das irregularidades apontadas pelos órgãos ambientais nas negativas de liberação de licença ambiental para a cooperativa.
“Essa é uma questão que estamos discutindo com as associações. Já começamos a negociar a instalação de ecopontos na cidade para garantir essa destinação adequada e impedir que as lâmpadas venham para cá”, comenta Sérgio Bobig.