Há 23 anos, o marceneiro Isaías de Araújo Santos, de 47 anos, não fica tranquilo quando o assunto é entrega de correspondências, mercadorias e serviços. O problema do morador da Rua Castro Alves, que passa pelo Jardim América e Ponta Grossa, é a duplicação do número da sua casa. Um projeto da Prefeitura de Apucarana, que já foi encaminhado ao Ministério Público Federal (MPF) para análise, promete regularizar a numeração dos domicílios em toda a cidade. A regularização do serviço postal e, por consequência da numeração da cidade, já foi alvo de uma ação milionária do próprio MPF contra os Correios. A Prefeitura, que também foi citada na ação, elabora um projeto de lei para regulamentar a medida.
A expectativa é que o levantamento comece até o final do ano e paralelamente seja feitas as alterações da numeração domiciliar. Um projeto de lei é elaborado para nortear as ações da Prefeitura. De acordo com o procurador jurídico do munícipio, Rubens de França, o projeto, após a análise do MPF, caso seja aprovado, será colocado em prática no Jardim Ponta Grossa, localidade considerada mais crítica quanto a ordenação numérica dos domicílios e uma das regiões mais populosas de Apucarana. “Enquanto o MFP faz a análise, estamos trabalhando no projeto de lei, que estabelecerá os critérios para a regularização da numeração, como prazo para alteração do número pelo morador”, explica.
França espera que o projeto seja concluído no próximo mês, para que possa ser encaminhado para a Câmara Municipal na sequência. “A nossa expectativa é dar início ao levantamento até o final do ano”, espera. O levantamento será realizado por área, acrescenta o procurador. “Assim que mapearmos o Jardim Ponta Grossa, iremos começar os trabalhos em outro bairro, mas para isso precisamos de lei uma para nortear os procedimentos”, argumenta.
Sobre o levantamento, França comenta que também está em análise se o trabalho será feito pelo Município ou por uma empresa terceirizada. Independente de quem vá realizar o levantamento, a estimativa é que todo o processo seja concluído no prazo de um ano. “Neste período também já vamos realizar a alteração dos números”, frisa.
TRANSTORNOS
Para o carteiro há 15 anos, Fabiano Batista Silvério, a numeração irregular gera inúmeros transtornos na hora da entrega das correspondências. “Nós precisamos organizar as correspondências por ordem crescente na central de distribuição, mas quando chega no bairro nos deparamos com números pares ao lado de ímpares e a numeração não é crescente”, afirma.
Segundo ele, com cerca de 40 dias, o carteiro consegue reordenar mentalmente os números para agilizar as entregas. “Todos os dias passamos pelas mesmas ruas, por isso, conseguimos nos adaptar, já os entregadores demoram mais tempo”, diz. E para facilitar a as entregas, o marceneiro Isaías sempre frisa que o número de sua residência fica próximo ao parque do Japira, não no Jardim Ponta Grossa.