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Mais de 70% dos partos realizados na região da 16ª RS são cesáreas

Vanuza Borges

| Edição de 03 de junho de 2017 | Atualizado em 02 de junho de 2017

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Apesar das inúmeras campanhas estimulando o parto normal, as cesáreas ainda são o procedimento preferido na hora de ganhar os filhos. Na região, o índice passa de 70%. A humanização é a aposta para encorajar mais mulheres a aderir ao parto natural, que é o mais recomendado por especialistas para as mães e também para as crianças.

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Dos 4.954 partos realizados na área de abrangência da 16ª Regional de Saúde (RS), de Apucarana, que engloba 17 municípios, apenas 1.314 foram via vaginal, representando 26,52% do total, elevando o índice de cesáreas para 73,5%. O número revela uma leve alta neste tipo de procedimento 1,15%, de um ano para o outro. Em 2015, 5.159 partos foram realizados na 16ª RS, sendo 1.309 normais (25%). 
No Hospital da Providência Materno Infantil, de Apucarana, a maioria dos partos realizados foi por cesariana. Por ano, a unidade, que é a principal maternidade do Vale do Ivaí, realiza cerca de 2.400 partos.
Em março deste ano, a taxa ainda indicava 70% de cesáreas, mas apresentou uma queda, passando para 61% em abril. Para a equipe técnica do Hospital da Providência Materno Infantil, alguns trabalhos desenvolvidos, dentro da proposta do parto humanizado, têm contribuído para melhorar a experiência do parto, promovendo mudanças no cenário.
A gerente de enfermagem do Materno Infantil, a enfermeira Érica Sanchez, comenta que a presença de enfermeiras obstetras e de residentes em obstetrícia pelo programa da Autarquia Municipal de Saúde tem contribuído com a experiência. “Essas profissionais acompanham, com o médico obstetra, a evolução das parturientes durante o trabalho de parto e isso está favorecendo o aumento no índice de partos normais, que é o que pretendemos alcançar”, ressalta.

PRÉ-PARTO 
Érica observa que esse trabalho traz métodos não farmacológicos para serem desenvolvidos junto às parturientes no período do pré-parto, como massagem, exercícios na bola fisioter ápica, barra e balanço pélvico, além de banho morno, escalda pés e repouso. “São vários métodos que esses profissionais vêm trabalhando para que as parturientes tenham um conforto maior nesse período, porque elas vão sentir dor, mas de forma amenizada”, diz.
A enfermeira avalia que os métodos diminuem a ansiedade e melhoram o quadro psicológico da parturiente. “É um trabalho muito importante onde já estamos conseguindo atingir objetivos, como a diminuição do índice de cesárea”, exemplifica. 
A médica obstetra Silvana Fisco acrescenta que os métodos alternativos auxiliam no trabalho de parto, reduzem a ansiedade e aliviam a dor sem medicação. 
“O sucesso do parto normal humanizado demanda empenho da equipe e também da paciente. Por isso, é preciso que as mulheres se preparem, conheçam as etapas e compreendam que é um momento muito específico para ela e para o bebê”, ressalta.

Experiência marcada pela falta de apoio profissional
Parto humanizado foi tudo o que a pedagoga apucaranense Joseane Miranda Oliveira, de 31 anos, mãe de Miguel, que tem 3 anos e 9 meses, não teve. Com um parto difícil, ela reclama da falta de apoio dos profissionais envolvidos.
Depois de quase um dia em trabalho de parto, sem a dilatação necessária, ela teve a criança após um corte de 15 centímetros na região perianal para a retirada do bebê. “Além de toda dor sentida durante esse tempo deitada na cama e falta de orientação da equipe médica, ao retornar para o quarto, a enfermeira nem me ajudou a me colocar na cama, alegando que eu não estava doente”, conta.
Ao transferir-se sozinha para a cama, por causa da anestesia ficou sete dias com dor de cabeça intensa. “Porém, o pior problema foi os pontos soltarem, porque esqueceram a placenta dentro de mim, o que causou febre e infecção. A placenta caiu dois dias depois que deixei o hospital durante o banho. Foi uma experiência traumática”, relata.
Apesar da experiência negativa, Joseane diz que, caso tenha um outro filho, fará novamente o parto normal. “Mas antes, vou escolher muito bem a equipe médica, que me dê suporte e segurança”, planeja.

Atendimento especializado
A advogada araponguense Mirella Filla Moraes, de 33 anos, descreve sem traumas a experiência da maternidade. Mãe de Gabriel, de apenas quatro meses, Mirella optou pelo parto normal, após o médico explicar os benefícios para ela e para o bebê. Após a decisão tomada, a advogada procurou um hospital, em Londrina, que já oferta o parto humanizado. “No início da gravidez, eu não imaginava que seria capaz de fazer parto normal. Minha mãe não teve nenhum dos três filhos por parto normal, eu tive dilatação e consegui, quebrando o paradigma da família”, diz.
Mirella conta que durante todo o momento que esteve na maternidade recebeu todo o apoio da equipe, o que a fez sentir segura. Além disso, recebeu técnicas para aliviar as dores das contrações. “O parto foi tranquilo e depois também não tive problemas. Fiz o repouso conforme o recomendado, mas não senti dor e nenhum desconforto”, garante.