CIDADES

min de leitura - #

Mais de 90 indústrias adotam férias coletivas

Fernando Klein

| Edição de 17 de dezembro de 2022 | Atualizado em 17 de dezembro de 2022
FEITA NO PARANA - Grupo Munhoz Caetano, holding do segmento moveleiro, que produz móveis seriados para o segmento de sala de estar.  A Caemmun Movelaria está sediada em Arapongas, um dos maiores polos moveleiros do país. Na foto fabrica da Filial Sabáudia. 06/10/2020 - Foto: Geraldo Bubniak/AEN
FEITA NO PARANA - Grupo Munhoz Caetano, holding do segmento moveleiro, que produz móveis seriados para o segmento de sala de estar. A Caemmun Movelaria está sediada em Arapongas, um dos maiores polos moveleiros do país. Na foto fabrica da Filial Sabáudia. 06/10/2020 - Foto: Geraldo Bubniak/AEN

Fique por dentro do que acontece em Apucarana, Arapongas e região, assine a Tribuna do Norte.

Mais de 90 empresas do polo moveleiro de Arapongas vão dar férias coletivas para os funcionários no final deste ano. Segundo estimativa do Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário de Arapongas (Sticma), cerca de sete mil trabalhadores serão liberados. A medida é reflexo da queda nos pedidos registrada ao longo do ano e, consequentemente, do aumento dos estoques nas fábricas.

O presidente do Sindicato das Indústrias de Móveis de Arapongas (Sima), José Lopes Aquino, revela que os pedidos caíram, em média, 10% em 2022 na comparação com o ano passado. Aquino afirma que a adoção de férias coletivas costuma ocorrer no polo moveleiro, no entanto, ele admite que o número de empresas que decidiram colocar a medida em prática aumentou muito neste ano.  A maioria das fábricas deverá liberar os funcionários entre 22 de dezembro e 4 de janeiro. 

“As empresas estão com os estoques altos e não há necessidade de produzir mais agora. Por isso, a decisão das férias coletivas”, explica. Aquino observa que outras fábricas, que conseguiram algumas vendas de última hora, programaram para liberar os funcionários no período do Carnaval, em fevereiro de 2023.

Ele prefere não usar a palavra “crise” no setor. O presidente do Sima explica que o Black Friday de 2021 registrou um grande número de pedidos, gerando uma movimentação maior das empresas no ano passado. Assim, a maioria das indústrias aumentou a produção. “O problema é que as vendas caíram muito no primeiro semestre de 2022 e as empresas continuaram produzindo. Com isso, os estoques ficaram muito altos e a demanda de pedidos ficou aquém do esperado”, assinala Aquino.

Ele afirma que o fechamento das empresas no final do ano não é adequado. “É algo que preocupa, porque seria importante usar toda a capacidade instalada do polo”, analisa. O presidente do Sima afirma que o setor está cauteloso também com a mudança de governo, com a eleição do presidente Luiz Inácio da Lula da Silva (PT). 

O presidente do Sticma, Carlos Roberto da Cunha, afirma que 93 empresas homologaram no sindicato as férias coletivas. O número de empresas que adotaram a prática já foi alto em 2021, quando pelo menos 70 liberaram os funcionários no final do ano. “Neste ano, porém, o número aumentou muito. Não é comum”, avalia. (FERNANDO KLEIN)