O desafio dos pais de educar os filhos no século XXI. Esse foi o tema abordado recentemente pelo psicoterapeuta, especialista em crianças, adolescentes e famílias, Ivan Capelatto (foto), durante palestra ministrada no Cine Teatro Fênix, em Apucarana, a convite do Colégio Platão. Mestre em psicologia clínica pela Pontifícia Universidade Católica (PUC), ele defende que o afeto e a cuidado são essenciais na educação dos filhos deste os primeiros meses de vida, além, é claro, de limites.
O especialista acredita que esse tripé vai formar uma criança, adolescente e, consequentemente, um adulto com identidade, autonomia e autoestima. Características que estariam em falta atualmente, segundo Capelatto, uma vez que considera o século XXI, um século regido por necessidade material, indiferença e egoísmo. “O século XXI começa doente, com a derrubada das torres gêmeas, nos Estados Unidos, e com o uso da tecnologia de forma muito suntuosa, nociva. Além disso, são inúmeras mudanças nos conceitos, que deixaram e deixam as pessoas perdidas, inclusive, o excesso do politicamente correto”, defende.
A formação de um ser humano saudável, na avaliação de Capelatto, começa nos primeiros meses de vida. “Durante o primeiro ano de vida, a mãe deveria ser a principal cuidadora do filho e não passar mais de sete, oito horas longe da criança. Neste período de um ano, a criança passa por uma fase crucial no seu desenvolvimento físico e psíquico”, afirma.
Por isso, o terapeuta defende a licença maternidade de um ano. “Não é um gasto, mas um investimento no futuro”, argumenta, observando que nesta fase a criança vai adquirir características essenciais para a vida adulta como identidade própria, autonomia e a confiança.
Neste contexto, o brincar é considerado item primordial. “Hoje, vivemos numa sociedade do aqui e agora, que quer tudo imediatamente. Vemos crianças de dois, três anos, falando inglês e sem tempo para brincar, de viver, e, com isso, deixam de construir uma identidade”, assinala.
Educar, ainda segundo o especialista, exige que os pais observem os desafios do mundo atual e não abram mão da convivência familiar, para que os filhos tenham a família como referência, e não os modismos e apelações da sociedade.