Apesar do Governo Federal ter aprovado o reajuste anual dos medicamentos para entrar em vigor ontem, as farmácias da região ainda não haviam repassado os novos preços aos consumidores. Os remédios, que ficariam até 4,33% mais caros, estavam sendo comercializados pelos preços antigos. Expectativa é de que os novos valores sejam adotados ainda nesta semana a partir da publicação de tabela nacional.
Os novos preços foram definidos pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos e ficou acima da inflação de 2018, que fechou o ano em 3,75%. De acordo com o Ministério da Saúde, esse percentual é o teto permitido de reajuste, o que significa que cada empresa pode decidir se vai aplicar o índice total ou menor.
Magda Cristina de Oliveira, farmacêutica de uma drogaria em Apucarana, afirma que os valores reajustados ainda não foram implementados. “Estamos em constante monitoramento dos canais oficiais do governo, mas por enquanto, nada mudou. A expectativa é de que a mudança seja feita ainda nesta semana”.
A Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos publica, todo mês, no site da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), a lista com os preços de medicamentos comercializados no país. É com base nesta tabela que cada farmácia estipula o valor dos remédios, desde que o preço não ultrapasse o valor listado.
De acordo com Rodrigo Teixeira, farmacêutico e proprietário de outro estabelecimento em Apucarana, alguns consumidores procuraram o estabelecimento neste final de semana para se informar sobre os novos valores. “Algumas pessoas fizeram a compra antecipada de alguns medicamentos de uso contínuo para aproveitar os preços ainda sem o reajuste”, conta.
Segundo o Governo Federal, o cálculo do reajuste não leva em conta apenas a inflação do período, mas também a produtividade das indústrias de remédios, o câmbio, a tarifa de energia elétrica e a concorrência de mercado, entre outros fatores.
Proprietário de uma farmácia em Arapongas, Marcos Filiponi diz que o reajuste de até 4,33% está dentro do esperado. “A porcentagem ficou dentro da margem que utilizamos para o nosso planejamento anual. O reajuste sempre ocorre em abril, então já era esperado. Acreditamos que até quarta-feira, teremos o preço novo implementado”.
CONSUMIDORES
Já os consumidores reclamaram do reajuste. A cozinheira Celma da Silva afirma gastar em torno de R$ 180 mensais com a compra de remédios de uso contínuo. “Tenho hérnia na coluna e desgaste nos ossos. O reajuste, por menor que seja, vai pesar no bolso, já que o salário não sobe. É muito ruim para o cidadão”, conta.
O professor aposentado Jecino Anacleto Borges concorda. “É um reajuste significativo, principalmente para quem recebe aposentadoria e precisa gastar periodicamente com remédio. Saúde é assunto delicado, então quanto mais barato, melhor. O aumento dificulta a vida de muita gente”.