Acertar seis números na Mega-Sena e colocar a mão na bolada milionária que a Caixa Econômica Federal promete pagar hoje à noite é um sonho que está embalando muita gente. São R$ 170 milhões, maior prêmio da história, excluindo os da Mega da Virada, que teve início em 2009. Apesar da chance de acertar com uma aposta simples, de R$ 3,50, ser de uma em mais de 50 milhões, os candidatos a milionários não perdem a fé e movimentam as casas lotéricas de Apucarana.
Um sonhador é o apucaranense Arthur Gardenal, de 66 anos. Ele não é um dos jogadores assíduos, mas diante do montante se rendeu à tentação e fez seis apostas simples. “É muito dinheiro. Se eu ganhar, vou viver a vida feliz”, diz sem revelar seus planos para o dinheiro. Diferente do entregador de móveis, o aposentado Jair Martinelli, 66, religiosamente, há dez anos, faz o mesmo jogo. “Eu já acertei a quadra com esses números”, revela. E, claro, agora espera ser o sortudo da vez. “Se eu ganhar, vou ajudar toda a minha família. Eu estou confiante”, garante, como todo bom apostador.
Com uma aposta simples nas mãos, a pensionista Ivone Guimarães, 52, também estava confiante e com o coração generoso. “Se eu ganhar, vou ajudar muita gente com esse dinheiro todo”, afirma. Ela revela que começou a jogar há cerca de dois anos e cada semana faz uma nova aposta. “Escolho os números de acordo com a minha intuição”, diz. A quantidade máxima de números acertados neste período foi três. “Quem sabe é agora”, brinca.
CRISE
Apesar da animação dos apostadores, os donos das lotéricas avaliam que o movimento poderia estar maior. De acordo com Marcos Grando Marques, gerente de uma casa lotérica no centro de Apucarana, o prêmio de R$ 170 milhões atrai, como de costume, mais apostares. “De quarta-feira para cá, aumentou 30% o número de apostas, mas em outros períodos este dígito seria muito maior”, acredita.
Para o presidente da Federação Nacional dos Lotéricos (Fenal), Ademar Mascarenhas, o número de apostas, em geral, caiu 1,5% este ano. Por outro lado, ele frisa que a arrecadação aumentou 38% por causa do aumento de 43% no valor das apostas. “As casas lotéricas fazem parte do mercado e, como qualquer outro negócio, também têm sentido os reflexos da crise”, pontua.
No entanto, nem todos os empresários do setor têm sentido o impacto da crise economia. O gerente de outra casa lotérica de Apucarana, Luiz Carlos Gasparotti avalia que o aumento quadruplicou nos últimos dias. “Com o prêmio acumulado, é comum aumentar o número de apostadores”, diz.