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Mentira muda de nome com avanço das redes sociais

Vanuza Borges

| Edição de 01 de abril de 2017 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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No dia consagrado à mentira, 1º de abril, é inegável que esse hábito, nada ortodoxo, que faz parte da rotina humana deste os primórdios, tem ganhado uma nova versão. Chamada de pós-verdade, a mentira ganhou força principalmente nos últimos anos com o avanço da internet e, ao mesmo tempo, das redes sociais. Quem usa a internet e seus aplicativos não raro se depara com textos alarmistas, que vão desde saúde pública ao cenário político. Em Apucarana, um exemplo comum deste comportamento, é um suposto caso de um Fiat Uno tomado de assalto próximo ao Detran com um bebê dentro. O trote foi espalhado pelo WatsApp.

Imagem ilustrativa da imagem Mentira muda de nome com avanço das redes sociais

O caso aconteceu de fato, mas em Minas Gerais, e o dono inventou o sequestro da criança para mobilizar a polícia. E assim, o tempo todo, as mídias sociais são bombardeadas com informações falsas, caso da criança batizada de Facebokson, casos de morte pela doença vaca louca ou, ainda, a cerveja feita com pombos moídos.
O cientista político e sociólogo Elve Cenci, de Londrina, explica que este tipo de comportamento tem ganhado cada vez mais expressividade porque as pessoas se sentem protegidas atrás do suposto anonimato proporcionado pela internet. “Antes do avanço da internet, a disseminação da informação era feita através das mídias tradicionais, que tinha a figura central do jornalista como responsável por ouvir os dois lados da história, o que não acontece nas redes sociais”, avalia.
Ele explica que a principal característica deste tipo de texto é o alarmismo.
No âmbito político, segundo o sociólogo, as construções de pós-verdades ficam ainda mais evidentes, em especial após 2014, depois que o Brasil se dividiu entre “coxinhas” e “petralhas”. “São textos também revestidos de falsa autoridade, que não permitem questionamento e que vêm para reafirmar posições. Não tem espaço para diálogo, para discutir de forma racional. É uma crença, algo quase fundamentalista feito para conversão e manutenção dos convertidos”, diz.
Ele cita que após 2014, grupos especializados trabalham para partidos políticos nos bastidores com o único intuito de construir mentiras ou pós-verdades, sem qualquer critério.
Alguns sites na internet, por outro lado, ajudam a desvendar as mentiras como o E-farsas, Boatos.org, Fatos & Boatos, entre outros. (VANUZA BORGES)