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Mesmo com ultimato do MEC, estudantes continuam com ocupações

Renan Vallim

| Edição de 21 de outubro de 2016 | Atualizado em 02 de dezembro de 2016

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Mesmo após o Ministério da Educação (MEC) divulgar a possibilidade de cancelamento do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) nas escolas ocupadas, estudantes não se mostraram intimidados. Novas escolas foram tomadas ontem na região. Dos 114 colégios dos Núcleos Regionais de Educação (NREs) de Apucarana e Ivaiporã, 49 estão ocupados.

Maria Rafaela Pereira, de 17 anos e estudante do 2º ano do Ensino Médio, é uma das organizadoras da ocupação do Colégio Estadual Polivalente, em Apucarana, que tem 40 alunos. Segundo ela, não há perspectiva de desocupação. “A mobilização tem como objetivo abrir um canal de diálogo com o governo federal. A medida provisória que mexe com a grade curricular das escolas está sendo imposta. Ela não foi discutida. Queremos ser ouvidos”, diz.

Imagem ilustrativa da imagem Mesmo com ultimato do MEC, estudantes continuam com ocupações

A Medida Provisória 746/2016, criticada pelos alunos, promove alterações na estrutura do ensino médio através da ampliação da carga horária mínima para 1.400 horas e torna facultativas as disciplinas de Artes e Educação Física. Os sistemas de ensino também poderão escolher áreas de conhecimento que serão enfatizadas, com formação técnica e profissional.

Segundo Maria Rafaela, não houve apoio da direção do colégio para a ocupação. “Aqui fazemos de tudo. Cada aluno tem uma função, como limpeza, segurança, alimentação, entre outras. Temos oficinas, ‘aulões’ e debates ofertados por professores, universitários e quem mais quiser contribuir. Meninos e meninas têm dormitórios separados e também temos horário para dormir e acordar. Acreditamos que a mobilização passa também pela responsabilidade de cada um com o ambiente do colégio, por isso buscamos cuidar de tudo”, salienta.

OUTRO LADO

Pais de alunos da rede estadual de ensino organizam uma mobilização contra as ocupações nas escolas de Apucarana. Os organizadores do evento afirmam que a ocupação das escolas tem prejudicado os alunos e que a maioria dos estudantes é contra a situação.

“Não queremos tirar o direito de ninguém, mas tem alunos querendo estudar. A maioria dos alunos é contra as ocupações. Acreditamos também que eles estão sendo usados como massa de manobra dos professores, que estão no meio de uma ‘queda-de-braço’ com o governo. Queremos pressionar pela execução da reintegração de posse das escolas”, diz Juviniano Fideles, motorista de van, que tem dois filhos matriculados na rede estadual. O protesto de pais e alunos pela reabertura das escolas acontece amanhã na Praça Rui Barbosa, a partir das 10 horas.