Constantes assaltos a ônibus metropolitanos na região têm deixado passageiros com medo. Só neste ano foram seis, sendo que metade desse número foi registrado só nesta semana. As empresas já admitem orientar seus motoristas a não pararem em pontos perigosos para tentar evitar a ação de bandidos.
Todos os roubos compartilham algumas características: são realizados à noite, em horário de menor movimento, com os assaltantes subindo a bordo como sendo passageiros comuns. Eles esperam que o coletivo chegue em uma localidade isolada para realizar o assalto.
Na última terça-feira (10), dois assaltos foram registrados. Um deles foi na linha Apucarana-Rolândia, da empresa Viação Garcia. O roubo ocorreu próximo ao distrito de Aricanduva, em Arapongas. Pertences do motorista, cobrador e passageiros foram levados, além de dinheiro que havia no caixa. A empresa registrou ainda um prejuízo de R$ 320.
Outro roubo foi registrado na linha Apucarana-Mandaguari, da empresa Expresso Nordeste. Um homem subiu no ônibus em Jandaia do Sul e, em Cambira, deu voz de assalto. A quantia levada não foi revelada.
Anteontem, mais um assalto foi registrado, dessa vez na linha Arapongas-Astorga, também da empresa Viação Garcia. Assaltantes armados deram voz de assalto nas proximidades do trevo de Sabáudia e levaram por volta de R$ 190 da empresa, além de pertences do cobrador, motorista e dos passageiros. Eles ainda tiraram a chave da ignição e jogaram em um matagal às margens da pista.
“É uma situação extremamente complicada. A falta de segurança em determinados pontos é grande. Estamos orientando os motoristas a terem cuidado, mas é praticamente impossível evitar assaltos. Cerca de 100 a 120 passageiros sobem no ônibus por viagem”, afirma um funcionário da Expresso Nordeste que não quis se identificar. Segundo ele, este foi o primeiro assalto sofrido pela empresa neste ano.
Em nota oficial, a Viação Garcia afirma que a maior dificuldade é “no atendimento dos usuários que, na sua ida ou volta do trabalho, são tão surpreendidos quanto a empresa”. Ainda segundo a nota, a empresa diz que, por conta da falta de segurança em determinados pontos, está orientando motoristas a “não parar em pontos nos quais for identificada qualquer atitude suspeita, fazendo com que o cidadão de bem também seja prejudicado”.
Usuários do sistema de transporte metropolitano afirmam sentir-se inseguros. “Eu pego o metropolitano praticamente todos os dias e fico com medo, com certeza. Acho que deveria ser colocado um segurança dentro dos ônibus nos horários mais perigosos, porque desse jeito fica difícil”, afirma Célia Maria Aníbal, que trabalha como diarista em Apucarana, mas mora em Mandaguari.
Morador de Jandaia do Sul, o vendedor Valdecir Monteiro viaja a Apucarana todos os dias para trabalhar. “O maior medo é não saber quem está subindo no ônibus, que índole a pessoa tem. É complicado, principalmente à noite”, diz.