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Moradores se unem contra o crime

Adriana Savicki

| Edição de 08 de abril de 2018 | Atualizado em 25 de janeiro de 2022

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Se um carro estranho aparece na vizinhança, o celular, com as mensagens do grupo de WhatsApp de vizinhos começa a apitar. Barulho muito maior, entretanto, faz o alarme sonoro, instalado em um poste e acionado por controle remoto com mensagens gravadas para alertar os vizinhos em caso de ameaça grave ou invasão de propriedade. Batizado de ‘sirene do pânico’, o equipamento é a nova arma de moradores de Apucarana para combater a criminalidade.

Imagem ilustrativa da imagem Moradores se unem contra o crime

Nessa semana, o equipamento foi instalado no poste em frente à casa de Wanda Tereza de França. Moradora há 40 anos do Bairro 28 de Janeiro, ela afirma que a rua tranquila não é mais a mesma. A casa dela foi arrombada em dezembro do ano passado. “Nos últimos seis meses tivemos dois assaltos aqui na rua, isso sem falar nas casas que entraram para arrombar”, comenta. 
Depois de ouvir da moradora da rua de cima sobre a iniciativa do alarme sonoro, uma solução adotada com sucesso no Residencial Cazarin (ver box), os moradores se mobilizaram para instalar o equipamento, que foi instalado na última sexta-feira. Na rua dela, quinze famílias se cotizaram para dividir o custo R$ 700. 
“Nós pensamos em várias alternativas antes. Pensamos em colocar uma guarita, mas aí tinha a questão de como contratar esse profissional, a questão legal de onde colocar essa guarita e desistimos até por conta do custo”, comenta. Além da rua Antonieta da Silva Lautenschlager, a ‘sirene do pânico’ também está sendo instalada nas ruas Érico Veríssimo, Osório Ribas de Paula, Elidio Stábile e Coronel José Luiz dos Santos. Dez equipamentos estão sendo instalados.
Cada rua tem um representante para trocar informações. Segundo Wanda, que é a representante de sua rua, a ideia é tornar a vizinhança menos vulnerável à ação de bandidos. 
“A gente não sabe se vai dar certo, sempre pode acontecer alguma coisa e a gente não estar com o alarme na mão, mas é uma tentativa. Alguma coisa tinha que ser feita”, comenta. 
Ela destaca que apesar do equipamento não ter sido utilizado ainda, a mobilização dos moradores já foi um fator positivo. “Muitos dos vizinhos não se conheciam. Hoje, todo mundo está no WhatsApp, e um ajuda a olhar a casa do outro”, destaca.

Associação 
muda residencial 
A instalação dos alarmes no 28 de Janeiro seguiu a iniciativa bem sucedida da Associação de Moradores do Residencial Cazarin. Bairro relativamente novo que já foi, no passado, alvo frequente de furtos e roubos, atualmente é um dos mais seguros da cidade graças a mobilização da comunidade.
A própria associação foi criada como resposta a uma tragédia, a morte de um morador, o engenheiro Francisco Marchi, 33 anos, durante uma tentativa de assalto em 2013. O crime que chocou profundamente os moradores foi um incentivo para a criação da entidade, legalmente constituída há 3 anos. O bairro investiu nas sirenes há 2 anos – doze equipamentos foram instalados -, mas o grande diferencial é mesmo a participação dos moradores.
A associação, da qual participam 42 famílias do bairro, é responsável por amplo leque de atividades – de grupos de oração a iniciativas de saúde, passando por confraternizações -, que aumentou a resposta de mobilização da vizinhança. Segundo a presidente da entidade, a advogada Juliana Ferracini, os moradores são fiscais ativos da segurança. “Se tem um carro estranho parado ou rondando o bairro, o pessoal começa a mandar mensagens no WhatsApp, a placa do veículo é anotada, e a situação analisada”, comenta. Ela destaca que por conta dessa postura, prestadores de serviço passaram a avisar a associação quando têm serviços no residencial. “Tínhamos um problema com carros estacionados por aqui, principalmente à noite, com jovens e isso acabou”, destaca. 
A próxima aposta da associação em segurança é o monitoramento. A associação está instalando 19 câmeras nas principais ruas do bairro. As imagens de todos os pontos poderão ser acessadas via celular e no computador dos moradores em tempo real. “Isso vai trazer ainda mais segurança para o bairro”, comenta.

Polícia Militar auxilia formação de associações
A Polícia Militar incentiva a participação de moradores na prevenção na área de segurança. “Até a própria Constituição Federal determina que a segurança pública é um dever de todos”, comenta o capitão Vilson Laurentino da Silva, coordenador de comunicação do 10º Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Apucarana.
Segundo o capitão, a mobilização de moradores tem relação direta com quedas no índice de criminalidade. “A polícia não tem como estar em todos os lugares ao mesmo tempo e quando a comunidade se organiza, isso evita que o ladrão aja”, analisa.
Silva destaca ainda que bairros interessados em se organizar podem entrar em contato com a PM. “A gente deixa a disposição da população policiais para ir até o local fazer palestas e orientações para os moradores se organizarem nessa área”, orienta. O endereço eletrônico da PM do Paraná (http://www.pmpr.pr.gov.br/) traz uma série de dicas de segurança.