Uma multidão acompanhou ontem, em Ivaiporã, o sepultamento coletivo das vítimas do acidente envolvendo um grupo de motociclistas e um caminhão na PR-082, em Jardim Alegre. A colisão aconteceu na noite de anteontem no trecho perto do trevo da Placa Luar. Seis pessoas, todos jovens e moradores do município, morreram na hora e dois foram hospitalizados em estado grave. As mortes deixaram a cidade de luto.
Cinco das seis vítimas foram sepultadas no final da tarde de ontem no Cemitério Municipal de Ivaiporã. Um dos corpos, de Juan Pablo Nogueira, 18 anos, foi translado para São João Ivaí. Entre os mortos estão ainda Felipe Roger Mendonça, 26 anos, e a esposa dele, Aline Gomes de Oliveira, 22 anos; Matheus Sathler Ramos, 20 anos; Felipe Dias dos Santos, 25 anos; e Renan Cesar Silvestre Basniack, de 20 anos.
O acidente aconteceu quando o grupo de motociclistas – ainda não se sabe exatamente quantos participaram do passeio, mas estima-se que pelo menos 10 motos estavam na pista – seguia em direção a São João do Ivaí para participar da feira noturna da cidade. As motos foram atingidas por caminhão Ford Cargo com placas de Blumenau/SC. O motorista do caminhão Odorico da Silva, 69 anos, não se feriu. Outros dois jovens, Weliton dos Santos Paulini, de 21 anos, e Rodrigo Disnei Klettemberg, de 19 anos, se feriram com gravidade e foram encaminhados para o Hospital Maternidade Ivaiporã. Na tarde de ontem, segundo o hospital, o estado de saúde dos dois era considerado grave, mas estável. Ambos seguiam internados na UTI.
A Prefeitura de Ivaiporã decretou luto oficial por três dias e divulgou uma nota de pesar. Segundo o prefeito Miguel Roberto do Amaral (PSDB), o clima de comoção e de solidariedade das famílias das vítimas, prevaleceu na cidade. “A cidade inteira foi envolvida. Uma tragédia sem tamanho, as vítimas eram jovens trabalhadores e de famílias conhecidas”, comenta.
Durante toda a manhã, centenas de pessoas passaram pelo velório dos jovens. A Igreja da Paróquia Espírito Santo, onde foi realizada missa de corpo presente de quatro das seis vítimas, também ficou lotada. Everson Alves dos Santos, que é amigo de várias das vítimas, afirma que o grupo se reunia pelo menos duas vezes por semana para passear pela região. Ele mesmo fazia parte desses circuitos, porém como passou a trabalhar em um supermercado no período noturno deixou de participar das atividades. “Se não estivesse trabalhando possivelmente estaria nesta tragédia. É muito triste, a ficha ainda não caiu, não dá para acreditar”, comenta.
Veronica Torres, que é avó de Felipe Dias dos Santos, não se conformava com a morte prematura do neto. “Há seis meses mudei de Londrina para cá para ficar mais perto da família. Na última vez que conversei com o Felipe, ele estava feliz e ficou de ir lá em casa almoçar comigo. Não teve nem tempo”, afirma.
Acidente tem versões contraditórias
As causas do acidente estão sendo investigadas pela 54ª Delegacia Regional de Policia Civil de Ivaiporã. Contudo, as versões sobre o que teria ocorrido são contraditórias.
O motorista do caminhão, Odorico da Silva, 69 anos, já foi ouvido pela polícia. Segundo o delegado Gustavo Dante, o motorista alegou que trafegava na velocidade compatível com a via e na sua mão de direção.
“Ele disse que uma das motos teria invadido a pista e ele tentou frear para evitar o acidente. Ele conta que colidiu com uma, duas ou três motos na via dele e posteriormente perdeu o controle e invadiu a pista contrária colidindo com as outras motos que faziam parte do grupo”, completou.
Testemunhas, entretanto, tem outra versão. Felipe Bloemer da Silva, que estava na garupa de uma das motos e sofreu apenas ferimentos leves, contou à reportagem que o caminhão fazia ultrapassagem de uma carreta quando atingiu o grupo. “O caminhão entrou na nossa frente, invadiu a faixa contínua, não deu tempo para nada. O Renan e o Juan bateram primeiro, o Felipe e a Aline por segundo, os outros eu não vi. Só lembro eu caído no chão ao lado do Felipe (Dias). Só espero que a justiça seja feita”, relatou Bloemer.
Segundo o delegado, o inquérito deve ser concluído dentro de 30 dias. Segundo o delegado, o motorista nunca se envolveu em acidente e passou pelo teste de etilômetro que deu negativo para consumo de álcool. “Nós também apreendemos o tacógrafo do caminhão que está sendo encaminhado à perícia”, comenta.
O delegado afirma ainda que a perícia confirmou marcas de frenagem na pista que seriam do caminhão. “Também vamos ouvir as pessoas envolvidas que estão internadas e os policiais rodoviários para fechar o caso, que é complexo”, disse.