O Ministério Público (MP) pediu a quebra do sigilo bancário da falsa técnica de enfermagem que atuou como voluntária no esquema de vacinação contra a Covid-19 e desviou imunizantes, em Apucarana. A informação foi confirmada pela advogada Fernanda Feguri, que atua na defesa de Silvânia Del Conte, presa em flagrante no último sábado e que teve prisão preventiva decretada na sequência.
Segundo a advogada, Silvânia assinou um documento abrindo mão do sigilo bancário para provar que não recebeu dinheiro pelas vacinas aplicadas. “Ela afirmou que a motivação foi gratidão e que seu desejo foi ajudar”, afirma a advogada.
A advogada ingressou com pedido de liberdade e afirma que sua cliente está colaborando com as investigações, não havendo necessidade de continuar presa, uma vez que o crime praticado por ela não envolve violência ou grave ameaça. “Silvânia será condenada, até porque confessou o crime e colaborou com a investigação. Mas, qual seria a necessidade de ela ficar presa preventivamente, se mesmo quando for condenada, provavelmente não ficará? Entendo o clamor social e respeito, mas também entendo que não é uma situação em que precise ficar presa para continuar colaborando com a investigação”, afirma.
Fernanda conversou com Silvânia na segunda-feira (17), após a audiência de custódia. De acordo com a advogada, a falsa técnica de enfermagem teria agido sozinha, sem ajuda de um cúmplice e não recebeu dinheiro para aplicar as doses nas cinco pessoas que receberam a vacina. “Ela assumiu os crimes que estão sendo atribuídos a ela e disse que fez por vontade própria. Ela se mostra arrependida e tem a consciência que terá que pagar pelo que fez”, relata.
Conforme a advogada, Silvânia contou como teve acesso as ampolas desviadas da rede pública de saúde. Ela afirmou à advogada que no início do esquema de vacinação, funcionários da Autarquia Municipal de Saúde (AMS) eram responsáveis por aspirar as vacinas com as seringas e encaminhá-las para o local de aplicação. Contudo, houve uma alteração para evitar a perda de vacinas. “Como não sabiam quantas pessoas iriam procurar a vacinação, passaram a levar as ampolas para o local onde ocorreu a aplicação e foi lá que Silvânia teve acesso às vacinas”, contou a advogada.
Em entrevista ontem, promotora Fernanda Trevisan Silvério, titular da 2ª Promotoria de Justiça, informou que as testemunhas do caso serão ouvidas na semana que vem e destacou que não há qualquer indício de aplicação de soro nas pessoas que foram vacinadas pela falsa enfermeira. “Não vejo indícios que tenha havido a aplicação de soro. O que eu vejo realmente é uma facilidade de acesso ao imunizante aliado a uma falta de controle e fiscalização mais rigorosa,” destaca.